Esse blog foi criado para divulgar o trabalho do Canto Cidadão, Organização Não Governamental (ONG), da qual a Drª Risadinha Risolina é voluntária. Nesta página você lerá textos que expressam as experiências que tenho vivido.



quarta-feira, 11 de junho de 2008

O segredo do truque (Por Deise Vieira)


Um nariz vermelho, uma certa dose de espontaneidade (ou cara de pau) e muita simpatia. Não foi preciso mais do que isso na "receita" para colorir o dia e provocar uma enorme quantidade de sorrisos. A responsável por isso? Dra. Risadinha Risolina.
O convite foi inusitado: ser sua assistente por um dia, acompanhando-a durante a festa junina da APAE Diadema. Não sabia o que esperar, mas aceitei! E graças a Deus, pois além de ter uma tarde superagradável, pude ver de perto inúmeras manifestações de alegria despertadas por ela.
Apesar de ser uma palhacinha, ela não precisou contar piadas, fazer malabarismos, nada disso. A “mágica” foi bastante simples, o “truque”: dar um pouco de atenção e carinho às pessoas.
Foi muito gratificante observar como as pessoas se alegraram e algumas até se surpreenderam com a presença dela. Cada um tem um jeito de se expressar, mas os sorrisos foram unânimes. Algumas senhoras tinham o “riso fácil”, algumas crianças bem pequeninhas tinham medo, mas depois se acostumavam com a luva azul e o sol desenhado no rosto da Dra. Risadinha. Garotos envergonhados hesitavam, mas logo já estavam rindo com ela.
Foi maravilhoso ver tantas pessoas contentes, isso não tem preço!
Dra. Risadinha, que sorte a minha ter sido sua assistente!

Deise Vieira de Souza.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Sábado ensolarado


O sol neste sábado brilhava forte e o motivo descobriria um pouco mais tarde, pois resolvi fazer uma visita diferente. Motivada pelo convite de uma amiga fui conhecer a APAE Diadema. Era dia de festa Junina, atração que, aliás, já entrou para o calendário oficial da cidade. Tinha dois desafios pela frente: atuar pela primeira vez sozinha e em uma festa com muita gente.
Além da maravilhosa organização, muita comida boa, brincadeiras e danças, a Drª Risadinha parecia uma celebridade no meio do Arraiá. Fiquei emocionada com tanto carinho.
A doutora teve apenas tempo de colocar os pés no corredor e a criançada e seus respectivos pais começaram a tirar fotos com a dita cuja. Era um abraço aqui, outro acolá. Praticamente a doutora quem foi atendida (rs).
Foi uma experiência muito especial e inesquecível. Dançamos muito e sorrimos também. Perdi as contas de quantas fotos... acho que beirou 200. Viva o celular com câmera, nunca tinha visto tanta variedade. E nem adiantava dizer que não sabia segurar recém-nascido, as mães confiam plenamente em palhaços.
Drª Risadinha: - A senhora não quer sair na foto também?
Mãe: - Não, pode segurar.
Drª Risadinha: - Mas não levo muito jeito ....
Mãe: - Leva sim, pega, pega.

Só sei que no final da tarde já estava craque na modalidade ‘segura bebê’. Ah, o nenê chorava, mas não adiantava... as mães queriam uma foto a todo custo.
Um fato curioso aconteceu após a descaracterização. Minha amiga Havolene estava bem quieta em um cantinho comendo um pastel muito gostoso...quando uma mãe chega com a filha de oito anos e diz:
- Filha, quem é essa moça?
- Hummmmmmmm!!! (pensa a menina)
- A palhaça!!!
- Ah, assim não vale. Então esse é nosso segredo.
- Fechado.

Mais que o ‘sucesso’ (rs) ganhei meu dia por ter conhecido tantas pessoas queridas e do bem. Dava para sentir no ar o quanto a união faz a diferença: voluntários felizes trabalhando nas barracas, famílias de atendidos radiantes e verdadeiramente incluídos e a comunidade participando ativamente de uma causa tão bela.

Obrigada mais uma vez Tamara e Tatiana pelo convite, Deise pela companhia e fotos, pessoal da APAE pela acolhida e do Canto pelo incentivo.

Dentro e fora (Luan Jessan)

Por fora
tenho tantos anos
que você nem acredita.
Por dentro, doze ou menos,
e me acho mais bonita.
Por fora, óculos;
algumas rugas,
gordurinhas,
prata nos tintos cabelos.
Por dentro sou dourada,
Alma imaculada,
corpo de modelo.
Por fora, em aluviões,
batem paixões contra o peito.

Paixões por versos, pinturas,
filosofia e amigos sem despeito.
Por dentro, sei me cuidar,
vivo a brincar, meio sem jeito.
Não me derrota a tristeza;
não me oprime a saudade;
não me demoro padecente.
E é por viver contente
que concluo sem demora:
é a menina
que vive por dentro,
que alegra
a mulher de fora!

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Coincidências?


Chovia muito, não tinha guarda-chuva e me molhei no caminho para o hospital. A roupa estava ensopada, mas logo peguei a roupa seca da Drª Risadinha. Ufa! Mas qual não foi minha surpresa ao me dar conta de que havia esquecido o nariz, a peça chave da personagem. Sentei desolada no banco de vestiário. E agora?
Pensei: tenho duas opções. Tiro a roupa da Risadinha e visto a molhada, volto para casa e deixo o meu companheiro Caboclinho sozinho ou ??? E agora? Ah, já sei: ou pinto meu nariz de vermelho, mas se não der certo? Mas já que estou aqui não tenho nada a perder. E lá fui pintar o narigão, alguns minutos depois lá estava a Drª Risadinha no corredor se sentindo nua. O Dr. Caboclinho percebeu na hora, mas me incentivou a continuar. Mesmo me sentindo sem graça optei por ir em frente.
Conclusão: apenas duas pacientes perceberam a falta do adereço e mais uma vez pude comprovar que as pessoas precisam e esperam bem mais que uma palhaçada. Desejam ser ouvidas e conversar nem que seja sobre qualquer coisa.

Contudo, quero contar o que aconteceu nesse mesmo dia:

Ao iniciarmos o atendimento, antes de entrar no elevador cruzamos com enfermeiros empurrando uma maca com um paciente que foi a óbito. Enfim, seguimos nosso caminho e como de costume entramos na capela, localizada no quinto andar.
Lá estavam uma moça que chorava muito e uma senhora. A moça, desesperada gritava pela mãe, se debruçava sobre a bíblia tentando encontrar uma explicação. A senhora que a acompanhava consolava-a, mas não chorava. Fizemos nossas orações e já íamos saindo quando o Caboclo resolveu dar um oi para ambas. Nesse instante a senhora, que na verdade era tia da moça pegou no braço do Caboclinho e pediu para que ele as ajudasse. Estávamos lá há uns dois minutos e só quando nos aproximamos e estendemos nossas mãos é que aquela senhora teve coragem de chorar e até precisou se sentar. Então, entendemos que se fez de forte, mas poxa, nos demos conta de que aquela paciente que os enfermeiros levavam era a mãe e irmã dessas mulheres.
A senhora pediu para ficarmos mais um tempo ali e, assim, permanecemos. Foi uma emoção tão forte que não tínhamos palavras, ficamos em silêncio. Nesse momento tive certeza de que a chuva, o nariz esquecido, a dúvida, nada poderia ser empecilho para estarmos presentes naquele momento da vida delas. Tive a plena consciência de que deveria estar exatamente naquele lugar. Realmente, nada acontece por acaso.


Todos os relatos são baseados em fatos reais, porém, os nomes dos personagens são fictícios para preservar sua identidade.