Esse blog foi criado para divulgar o trabalho do Canto Cidadão, Organização Não Governamental (ONG), da qual a Drª Risadinha Risolina é voluntária. Nesta página você lerá textos que expressam as experiências que tenho vivido.



quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Conferência palhaceústica


A drª Risadinha, a Havolene e mais de 20 amigos Doutores Cidadãos viajaram juntos no último final de semana para Jaú, interior paulista. É claro que aproveitamos para visitar nossos amigos em dois hospitais da cidade. De cara, adoramos a hospitalidade do Centro de Voluntariado local e os funcionários. Parecia que éramos celebridades, mas os protagonistas já estavam lá dando o melhor de si para que todos ficassem bem em um momento tão delicado na vida de uma pessoa (funcionários, acompanhantes e os próprios pacientes, que são verdadeiras fortalezas).
Não me esquecerei de tantos bebês e pais babões e que no total de uns 20 recém-nascidos, apenas dois eram meninos. A concorrência vai ser grande (rs). Preparem-se meninas.
Não me esquecerei da felicidade de uma garotinha de apenas cinco anos dona de um sorriso lindo e da Irmã (freira)que topou até colocar o nariz vermelho.
Não me esquecerei do Zé, morador de rua, que era acompanhado por um franciscano, alguém que abriu mão de sua ‘vida’ para cuidar do próximo.
Não me esquecerei de tantas lições de vida que são aprendidas a cada atuação; da companhia e o aprendizado com meus amigos doutores; da injeção de fé do dr. Piolhopizza ; da acrodes,
Não me esquecerei da dança ao som das marchinhas de carnaval e da valsa; da cantoria antes e durante toda a viagem, para todos os gostos, de Mamomas Assassinas a Chico Buarque. Tadinho de quem nos ouvia freneticamente.
Não me esquecerei com certeza do “se eu não durmo ninguém dorme”, pois para garantir nem preguei o olho.
Não me esquecerei de muitas coisas, mas especialmente de que é inesquecível a sensação de estar em um lugar de corpo e alma realmente presentes.
Fora a beleza do lugar, a energia dessa galera é algo indescritível. E descobrir que felizmente cada doutor não é um mero personagem, mas a essência de cada um. Muitas vezes confundia o doutor com a pessoa. Que bom!
Me sinto privilegiada de conhecer essas pessoas e ter a oportunidade de partilhar momentos tão especiais com vocês doutores queridos. Acredito que a letra da música a seguir define muito bem a beleza da diferença e do novo e, especialmente, que é imprescindível vibrar e celebrar cada momento de nossa existência. Como cantaria Renato Russo (...) e mesmo com tudo diferente veio mesmo de repente uma vontade se ver (...) (Eduardo e Mônica)

Vamos Celebrar (Oswaldo Montenegro)

Eu gosto de andar pela rua
bater papo de lua e de amigo engraçado
Eu gosto do estilo do Zorro
o visual lá do morro e de abraço apertado
Eu gosto mais de bicho com asa
mais de ficar em casa e mais de tênis usado
Eu gosto do volume, do perfume
do ciúme, do desvelo e do cabelo enrolado
Eu gosto de artistas diversos
de crianças de berço e do som do atchim
Eu gosto de trem fora do trilho
de andar com meu filho e da cor do marfim
Tem gente, muita gente que eu gosto
que eu quase aposto que não gosta de mim
Eu gosto é de cantar
Vamos celebrar, celebrar, celebrar... Vamos celebrar
Vamos celebrar, celebrar, celebrar... Vamos celebrar
Eu gosto de artista circense
de artista que pense e de artista voraz
Eu gosto de olhar pra frente
de amar pra sempre o que fica pra trás
Eu gosto de quem sempre acredita
a violência é maldita e já foi longe demais
Eu gosto do repique do atabaque
do alambique badulaque do cachimbo da paz
Eu gosto de inventar melodia
da palavra poesia e de palavra com til
Eu gosto é de beijo na boca
de cantora bem rouca e de morar no Brasil
Eu gosto assim do canto do povo
e de tudo que é novo e do que a gente já viu
Eu gosto é de cantar
Vamos celebrar, celebrar, celebrar... Vamos celebrar
Vamos celebrar, celebrar, celebrar... Vamos celebrar
Eu gosto de atores que choram ali por nós
e namoram ali por nós na TV
Eu gosto assim de quem é eterno
de quem é moderno e de quem não quer ser
Eu gosto de varar madrugada
de quem conta piada e não consegue entender
Eu gosto da risada gargalhada
da beleza recriada pra que eu possa rever
Eu gosto de quem quer dar ajuda
e acredita que muda o que não anda legal
Eu gosto de quem grita no morro
que a alegria é socorro e que miséria é fatal
Eu gosto do começo do avesso
do tropeço do bebum que dança no carnaval
Eu gosto é de cantar
Vamos celebrar, celebrar, celebrar... Vamos celebrar
Vamos celebrar, celebrar, celebrar... Vamos celebrar
Eu gosto é de ver coisa rara
a verdade na cara é do que gosto mais
Eu gosto porque assim vale a pena
a nossa vida é pequena e tá guardada em cristais
Eu gosto é que Deus cante em tudo
e que não fique mudo morto em mil catedrais
Eu gosto é de cantar
Vamos celebrar, celebrar, celebrar... Vamos celebrar
Vamos celebrar, celebrar, celebrar... Vamos celebrar

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

“Prepare o seu coração pras coisas que eu vou contar...”

Perguntamos qual música Catarina (uma paciente afinada) gostaria de cantar e ela disparou...tentamos acompanhá-la, mas ela é imbatível.

Disparada (1966)
Letra de Geraldo Vandré /Música de Theo de Barros

Prepare o seu coração pras coisas que eu vou contar
Eu venho lá do sertão, eu venho lá do sertão
Eu venho lá do sertão e posso não lhe agradar
Aprendi a dizer não, ver a morte sem chorar
E a morte o destino tudo, a morte o destino tudo
Estava fora de lugar, eu vivo pra consertar
Na boiada já fui boi, mas um dia me montei
Não por um motivo meu ou de quem comigo houvesse
Que qualquer querer tivesse, porém por necessidade
Do dono de uma boiada cujo vaqueiro morreu
Boiadeiro muito tempo, laço firme, braço forte
Muito gado, muita gente pela vida segurei
Seguia como num sonho e boiadeiro era um rei
Mas o mundo foi rodando nas patas do meu cavalo
E nos sonhos que fui sonhando, as visões se clareando
As visões se clareando, até que um dia acordei
Então não pude seguir, valente, lugar tenente
E o dono de gado e gente, porque gado a gente marca
Tange, ferra, engorda e mata
Mas com gente é diferente
Se você não concordar não posso me desculpar
Não canto pra enganar, vou pegar minha viola
Vou deixar você de lado, vou cantar noutro lugar

Na boiada já fui boi, boiadeiro já fui rei
Não por mim nem por ninguém
Que junto comigo houvesse
Que quisesse ou que pudesse, por qualquer coisa de seu
Por qualquer coisa de seu, querer mais longe que eu
Mas o mundo foi rodando, nas patas do meu cavalo
E já que um dia montei, agora sou cavaleiro
Laço firme, braço forte, de um reino que não tem rei

Na boiada já fui boi, boiadeiro já fui rei
Não por mim nem por ninguém
Que junto comigo houvesse
Que quisesse ou que pudesse, por qualquer coisa de seu
Por qualquer coisa de seu, querer mais longe que eu
Mas o mundo foi rodando, nas patas do meu cavalo
E já que um dia montei, agora sou cavaleiro
Laço firme, braço forte, de um reino que não tem rei !
Cantamos parabéns para a estagiária Sandra.

domingo, 12 de outubro de 2008

Um dia sem a Drª Risadinha



*O relato a seguir é baseado em fatos reais, porém, os nomes das personagens são fictícios com o objetivo de preservar sua identidade.

Como o personagem Brás Cubas em “Memórias Póstumas”, ficarei feliz se ao menos cinco. Isto mesmo, cinco pessoas lerem essas poucas linhas mal escritas. Basta dizer que a autora oficial do Blog não pôde comparecer pela primeira vez com este fiel parceiro que vos escreve ao seu compromisso quinzenal, porém, esta falta não irá privar os leitores de mais um texto. Acompanhe um dia sem a Drª Risadinha.
Ao sair do elevador, uma funcionária se assustou com minha presença. Epa!!! Não posso começar com o pé esquerdo, pensei. Aí eu dei um pulo também fingindo ter me assustado, ela abriu um sorriso. Continuei pelo corredor. Cheguei à sala dos visitantes. Esta sala, na minha opinião, é um dos momentos mais delicados nas visitas, pois não temos nenhuma base da situação dos pacientes, e aí que está o perigo. Pessoas que estão esperando notícias boas ou ruins, diferente dos quartos, pois ao chegar perto dos pacientes sabemos o estado em que estão. Daí fica fácil saber se podemos incendiá-los (no bom sentido) com brincadeiras ou apenas doar um pouco de atenção.
Em frente à porta, pensei. Como eu entro? O que eu falo? A quem me dirijo primeiro? Pois quando se está em dois, tudo é mais fácil. Você escorrega e o outro te segura. Você erra, o outro corrige. Agora não, não poderia errar, não logo de cara. Ainda sem ter a mínima idéia de como entrar nessa sala, abaixei a cabeça e a solução apareceu como um passe de mágica. Tomei a decisão. Os meus “pequenos” sapatos de meio metro de comprimento entraram primeiro, comecei a balança-los escondendo meu corpo atrás do batente. Demorei alguns segundos e ouvi comentários e risadas, coloquei minhas mãos e cabeça também e logo depois o corpo inteiro. Todos que aguardavam estavam sorrindo. Ufa!!! Então comecei a conversar com todos e a brincar de maneira leve. Para fechar a história na sala de visitantes, chegou um menino de 1 ano e meio que no colo da mãe, começou a sorrir para mim, quando cheguei perto e ele colocou a mão no meu nariz vermelho, soltou uma gargalhada que ninguém agüentou e todos começaram a rir. A primeira etapa estava completa.
Saindo de lá, como de costume, fui à capela fazer uma oração e de lá desci para o 4º andar onde se localiza a clínica médica onde atendemos. Para completar o dia atípico, toda a equipe de plantão havia mudado, o que é bom, pois fazemos mais amizades.
Entrei no primeiro quarto, só haviam dois pacientes, um estava no banho, o outro estava acompanhado de uma mulher, ela estava quieta lendo uma revista, parecia não querer conversa, então fui chegando bem devagar e comecei a perguntar como estava o Marcos e quem ela era:
- Ele é meu marido.
Ele estava quieto, pois acabara de tomar medicamentos. Ela deixou a revista de lado e começou a conversar um pouco. Perguntei como eles se conheceram e da onde eles eram. Ela respondeu que eram baianos, primos, e que tinham dois filhos. Desabafou um pouco sobre a situação do marido e começou a conversar, depois agradeceu a visita e fui embora para o próximo quarto, já que o outro paciente ainda não havia saído do banho.
No quarto ao lado ouvi a história de Marieta, que veio de Portugal com 17 anos e que com 18 já estava tirando a carteira de habilitação. Adorava dirigir pela cidade, pouco asfaltada na época. Ela teve uma série de carros, desde Fusca até o atual Pálio. Lembra-se muito bem do primeiro carro, um Fusca OK. Adora o Brasil desde que chegou aqui e nunca pretendeu voltar para Portugal, nem para visitá-lo.
Costumo perguntar às pacientes se elas cozinham bem e o que elas melhor fazem quando estão em casa. Dependendo do prato a gente se convida, não é? Brincadeira!!!! É aí que entra a Dona Josefa com sua grande confissão: “cozinhei muitas vezes para o Dr. Jânio Quadros, eu era cozinheira dele quando era prefeito. Sei cozinhar um pouco de tudo”. Isso é pra você ver como o mundo é irônico. A ex-cozinheira do Jânio Quadros na minha frente e eu ainda sem jantar.
Mas como viver é aprender, incluindo estas cinco pessoas que vão ler o texto, vou lhes dar uma informação importante que recebi do paciente José Augusto, nascido em Irecê na Bahia. Fiquei sabendo que algumas décadas atrás, esta cidade chegou a responder por 30% da safra de feijão do país. Esta tradição deu o título à cidade de “Capital do Feijão”, mas o desmatamento e as queimadas, para preparar a terra, trouxeram secas à região diminuindo sua produção.
E foi assim, entrando de quarto em quarto, ouvindo belas histórias de vida, que trabalhei sem a Drª Risadinha. Como eu costumo pensar, quando você não sabe o caminho dê um passo de cada vez, afinal “É caminhando que se faz o caminho”.
Vou me despedindo de vocês que me agüentaram até este parágrafo, em recompensa desejo a vocês muito equilíbrio emocional, felicidade, paz e saúde.
Dr Caboclinho Lasanha

sábado, 13 de setembro de 2008

Anjo amigo


O relato a seguir é baseado em fatos reais, porém, os nomes das personagens são fictícios com o objetivo de preservar sua identidade.

Silvino tem 95 anos e uma lucidez de dar inveja a qualquer jovem de 15. No leito ao seu lado está Tom, um rapaz com pouco mais de 20 anos. Ambos se tornaram bons amigos. Tom disse que ajuda Silvino quando a filha dele não está por perto. Silvino fez questão de nos falar que Tom é um anjo.
O anjo amigo de seu Silvino por sua vez nos contou que aqueles dias no hospital haviam transformado sua vida. Nos revelou mais: era usuário de drogas, mas que ao sair dali nunca mais voltaria a usar. Ele considerava um milagre estar vivo e entendeu cada pessoa, cada funcionário, cada momento de sofrimento como sinais de que era necessário mudar. Segundo Tom não caiu um só fio de cabelo após a quimio e os médicos disseram que ele está praticamente curado. Sua vontade a partir de agora é contar tudo o que aconteceu com ele a outros jovens e criar seu filho, que nascerá daqui a três meses.
Tom é super animado e ama pagode, ainda mais Zeca Pagodinho. Acompanhado desses doutores aqui e seu Silvino de platéia cantou a seguinte música inteirinha. Só faltou ele sambar, como estava preso ao soro, mas nós fizemos isso por ele.

Aquilo Que Era Mulher (Zeca Pagodinho)

Aquilo que era mulher
Pra não te acordar cedo, saia da cama na ponta do pé
Só te chamava tarde sabia teu gosto, na bandeja café
Chocolate, biscoito, salada de fruta...suco de mamão
No almoço era filé mignom
Com arroz a lá grega, batata corada um vinho do bom
No jantar era a mesma fartura do almoço
E ainda tinha opção
É mais deu mole ela dispensou você
...Chegou em casa outra vez doidão
...Brigou com a preta sem razão
...Quis comer arroz doce com quiabo
...Botou sal na batida de limão
Deu lavagem ao macaco, banana pro porco, osso pro gato
Sardinha ao cachorro, cachaça pro pato
Entrou no chuveiro de terno e sapato, não queria papo
Foi lá no porão, pegou treisoitão
Deu tiro na mão do próprio irmão
Que quis lhe segurar, eu consegui lhe desarmar
Foi pra rua de novo, entrou no velório pulando a janela
Xingou o defunto, apagou a vela
Cantou a viúva mulher de favela, deu um beijo nela
O bicho pegou a polícia chegou
Um coro levou em cana entrou
E ela não te quer mais, bem feito

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Reflexões


Esse final de semana fui ao velório de uma amiga de minha família. Apesar da saudade gostaria de chamar a atenção para um fato que achei curioso. Ao utilizar o banheiro do local percebi que várias mensagens haviam sido escritas na porta por pessoas diferentes. Todas eram direcionadas para amigos e parentes que faleceram, mas que deixaram saudades, como essas por exemplo: “Primo, sentiremos muito sua falta”. “Mãe você é e sempre será nossa rainha”. Observei que o fato se repetia em todas as outras portas, são pelo menos cinco. Chamei até minha mãe para observar comigo.
Na hora da perda, da separação, muitas pessoas deixavam ali seu último adeus, talvez para diminuir a dor da separação, talvez para gritar para o mundo, prestar uma homenagem ou registrar pela última vez como aquela pessoa era querida. No final, a reflexão que ficou é que embora o ente querido provavelmente não possa ver aquilo, muitos como eu e minha mãe que leram aquelas mensagens sentiram uma paz imensa e que o verdadeiro AMOR é a única coisa que nunca separará os amigos de verdade.

E falando em AMOR, especialmente quando se trata do próximo, queria falar sobre uma situação que presenciei ontem. Estava em um evento a trabalho na famosa avenida Goiás, em São Caetano. Estava acompanhada de dois colegas de trabalho e um deles comprou um garrafa de água para beber no caminho de volta, disse estava “morrendo de sede”. Porém, ao sairmos do evento encontramos uma moradora de rua, dormindo, no frio. Pensamos em conversar com ela, mas dormia. Preferimos não incomodar. Ficamos incomodados, pois era um contraste saber que há poucos metros as pessoas estavam se servindo de um dos melhores cardápios da cidade.
Prontamente, meu colega pegou a garrafa de água que nem havia aberto e deixou ali ao lado da mulher.O gesto pode parecer pequeno, mas era o tinha de melhor para oferecer naquele momento e nos fez pensar em nossa pequenez, a brevidade da vida e a ilusão do prestígio social. Afinal, é preciso saber viver.

Paixão de adolescente (Dr.Polenticão)

O texto a seguir foi enviado pelos amigos Dr.Polenticão e Élcio depois que leram "O pretendente da DrªRisadinha", postado em 06 de agosto. Muito obrigada queridos.


A paixão de adolescente ...
É a mais quente ...
E a mais sincera ...
Como uma manhã de primavera !

O amor de adolescente ...
É o mais inocente !
Pois , todo o primeiro amor ...
Chega ao extremo da dor !

Só se ama verdadeiramente ...
Quando se é adolescente !
Dos dez anos aos dezesseis ...
Amor e paixão são os nobres reis !

O dinheiro não interessa ...
Adolescentes não têm pressa ...
Para pensar no futuro material ...
Eles querem uma paixão especial ,

Que dure para a vida inteira ...
Mesmo que não passe de uma noite de bobeira !
Adolescentes são trágicos em plena poesia ...
Eles conhecem a verdadeira poção da magia !

Quando eles amam , tudo fica colorido ...
Pois , o traiçoeiro e cruel cupido ...
Não é visto como um bandido !

Adolescentes mandam bilhetes apaixonados ...
Quando são tímidos e calados ...
E têm diários desfolhados !

Todo o adolescente apaixonado é uma eterna borboleta ...
Querendo viver um sonho de Romeu e Julieta !
Quanto mais proibida é a paixão ...
Mais sabor tem a emoção !

Para o adolescente , tudo o que é perigoso ...
Se protege num amor caridoso !

O amor mais divino e fremente ...
É a paixão de adolescente .

UM FORTE E CARINHOSO ABRAÇÃO!!!

SEUS FÃS
ELCIO E Dr.POLENTICÃO

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

É preciso saber viver


* O relato a seguir é baseado em fatos reais, porém, os nomes das personagens são fictícios com o objetivo de preservar sua identidade.

Sabrina estava sozinha no quarto, pois as duas companheiras de quarto faleceram hoje. Perguntamos como se sentia e nitidamente estava incomodada, aos poucos conversamos com ela, até que por alguns momentos saímos daquele quarto e viajamos em pensamento. Acompanhados de nossa amiga Sabrina cantamos suas músicas preferidas e antes de irmos embora ela nos chamou e disse: - Pensei que não ia rir mais hoje. Obrigada.
As seguintes canções fizeram o maior sucesso na noite de Sabrina e dos doutores que vos escrevem.

Preciso Saber Viver
Composição: Roberto Carlos


Quem espera que a vida
Seja feita de ilusão
Pode até ficar maluco
Ou morrer na solidão
É preciso ter cuidado
Pra mais tarde não sofrer
É preciso saber viver

Toda pedra do caminho
Você pode retirar
Numa flor que tem espinhos
Você pode se arranhar
Se o bem e o mal existem
Você pode escolher
É preciso saber viver

É preciso saber viver
É preciso saber viver
É preciso saber viver
Saber viver, saber viver!

Oração pela Família
Composição: Padre Zezinho


Que nenhuma família comece em qualquer de repente,
Que nenhuma família termine por falta de amor.
Que o casal seja um para o outro de corpo e de mente,
E que nada no mundo separe um casal sonhador.
Que nenhuma família se abrigue debaixo da ponte,
Que ninguém interfira no lar e na vida dos dois.
Que ninguém os obrigue a viver sem nenhum horizonte,
Que eles vivam do ontem, do hoje e em função de um depois.
Que a família comece e termine sabendo onde vai,
E que o homem carregue nos ombros a graça de um pai.
Que a mulher seja um céu de ternura, aconchego e calor,
E que os filhos conheçam a força que brota do amor.
Abençoa, senhor, as famílias! amém! abençoa, senhor, a minha também.
Que marido e mulher tenham força de amar sem medida,
Que ninguém vá dormir sem pedir ou sem dar seu perdão.
Que as crianças aprendam no colo o sentido da vida,
Que a família celebre a partilha do abraço e do pão.
Que marido e mulher não se traiam, nem traiam seus filhos,que o ciúme não mate a certeza do amor entre os dois.
Que no seu firmamento a estrela que tem maior brilho,
Seja a firme esperança de um céu aqui mesmo e depois.
Que a família comece e termine sabendo onde vai,
E que o homem carregue nos ombros a graça de um pai.
Que a mulher seja um céu de ternura, aconchego e calor,
E que os filhos conheçam a força que brota do amor.
Abençoa, senhor, as famílias! amém! abençoa, senhor, a minha também.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Urgente: bebê precisa de nome


Há algum tempo participei do Domingão Cidadão. Não tive oportunidade de falar sobre isso antes, mas vale a pena registrar. O Domingão Cidadão é um evento que reúne vários voluntários em um hospital pré-agendado. O objetivo é que cada doutor conheça a realidade de um hospital diferente do que atende e, por conseqüência trocar experiências tanto com os pacientes como com os amigos doutores. É magnífico. Espero participar de muitos.
E assim, aconteceu nesse hospital. Nos dividimos em grupos e o meu foi visitar a maternidade. Nossa, são várias carinhas e mãozinhas piquitititas, roupinhas que se alternavam entre rosa e azul, às vezes branco e amarelo. Porém, o que chamou atenção foi o XXX , o bebê ainda não tinha nome, pois era para ser menina...ops! É que pelo ultrasson concluíram que era uma menina e se chamaria Manuela. Diante da surpresa os pais de XXX ainda não tinham entrado em acordo.
Mãe: - O que você acha de Pedro, Gustavo ou Carlos?
Pai: - Prefiro Roberto ou Matheus.
Até demos algumas sugestões, mas acho que vai demorar algum tempo para o bebê ganhar um nome. De qualquer forma foi um prazer conhecer o XXX e sua família.

Todos os relatos são baseados em fatos reais, porém, os nomes dos personagens são fictícios para preservar sua identidade.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

O pretendente da Drª Risadinha


Gente, a Drª Risadinha tem um pretendente. Nossa, ela ficou lisonjeada, mas foi pega de surpresa. O dito cujo chama XYZ e que como se trata de um adolescente estou proibida de dar mais pistas. Mas o interessante é que o garoto em questão se apaixonou pela Risadinha e não deixava ela conversar com mais ninguém. Foi amor à primeira vista segundo ele.
Primeiro perguntou ao Caboclinho se ele era meu namorado. Muito satisfeito com a negativa o rapaz aproveitou para pedir endereço, nome e telefone da doutora e fez tanto que ela teve que inventar um número. Afinal, palhaços não usam celular. XYZ disse que iria ligar para ela ainda esta noite. Vamos ver se ele conseguiu. Ela o avisou que esse namoro não daria certo porque seria uma palhaçada. Ele nem deu bola. Ao se despedir pediu um beijo (no rosto, lógico). E finalizou: - Ganhei o dia. Não vou mais lavar meu rosto hoje.

Todos os relatos são baseados em fatos reais, porém, os nomes dos personagens são fictícios para preservar sua identidade.

Bendita novela das oito


Hoje, eu e Dr.Caboclinho fizemos mais uma visita e como sempre tivemos surpresas. Quando entramos no quarto de seu Cristóvão visitantes e pacientes estavam vidrados na novela das oito. Afinal, a culpada é a Flora e não Donatella como a maioria do público imaginava.
Entramos e ficamos quietinhos assistindo e esperando o intervalo. Porém, a Risadinha foi cair na besteira de falar que seu Cristóvão nem piscava por conta da novela. Ele deu uma ‘bronca’ na doutora que fiquei até torta.
– O que foi, o que tem de errado, não posso ficar mais aqui sossegado?
Depois dessa fiquei pianinho e falei para ele ficar tranqüilo.
... continuamos em silêncio
Até que o bendito intervalo chegou. Conversamos com os colegas de quarto de seu Cristóvão e eu como não desisto nunca fui tentar amansar a fera.
Drª Risadinha: Só passei aqui para falar um oi para o senhor.
- Só pra dizer oi.
Ele respondeu.
- Oi.
Drª Risadinha: Desculpa, o senhor pode continuar assistindo sua novela.

Fomos embora, mas antes seu Cristóvão nos acenou com um sorriso.

Todos os relatos são baseados em fatos reais, porém, os nomes dos personagens são fictícios para preservar sua identidade.

domingo, 20 de julho de 2008

De Sílvia para DrªRisadinha

Quando comecei a ler os textos, fiquei tão empolgada que faria um blog pra mim. Falar de tudo, principalmente dos sentimentos das pessoas. Depois fiquei pensando..., indisciplinada do jeito que eu sou, nem vai ter graça... E foi pensando na graça que eu lembrei da dra. Risadinha Risolina. Tudo o que ela diz acaba em hihihisada. Mesmo quando a emoção chega a balançar as pernas, o sorriso permanece, até meio amarelo, porque ela se identifica com a dor alheia. Acho que esse é o grande charme do blog da dra. Risadinha hihihi
Em cada história contada no blog, vem embutido um desejo imenso de que aquele personagem real tenha uma vida longa, saudável e feliz.

Se pudesse colocar um novo nome no blog seria Injeção de Empatia, que é a capacidade de se colocar no lugar dos outros.

A força da dra. Risadinha vem de uma menina sensível e sonhadora. Se morasse na zona rural, talvez se limitasse na literatura romântica dos folhetins de qualidade duvidável.

Para nossa sorte, metropolitana, ela compartilha no blog tantas experiências que despertam na gente a fé na juventude e o desejo que a ciência seja cada vez mais capaz de salvar as pessoas e a nossa própria esperança.

Obrigada, Havolene querida.

Um grande beijo! Sílvia Lopes

Doutores novos e coloridos


Fazia tempo que não via um colorido tão intenso, não me refiro apenas aos doutores da turma 18 que se formaram ontem, dia 19 de julho, mas a todos que participaram dessa festa.
A aura era colorida, de alegria, de otimismo, de sonhos. Em meio a nosso dia-a-dia tão atribulado sentir uma paz no abraço de pessoas do bem e tão amigas é uma sensação indescritível.
Na volta para casa, refleti sobre nossa cidade. Para muitos São Paulo é um lugar não somente de temperatura fria, mas também de temperamento frio e individualista. Sim, por vezes é, mas se você parar um minuto sua corrida e conversar com alguém que está ao seu lado todos os dias, mesmo no metrô ou no ônibus vai perceber que quem torna São Paulo fria e individualista somos nós, seus moradores. Faça essa experiência. Sou muito feliz, pois encontrei seres iluminados nessa cidade enorme, que em um abraço se tornou quente e coletiva. Tenho o privilégio de chamá-los de amigos.
Bem-vindos doutores! Parabéns.

sábado, 12 de julho de 2008

O caminho do mar


Orlando falava pouco e para o papo engrenar comecei a perguntar sobre o paciente que dormia ao lado. Ele contou que o companheiro de quarto havia sofrido um derrame e que a seqüela era que não falava mais.
Como Orlando se animou e para alongar a conversa perguntei onde morava. Me contou que há um ano se separou e que desde então mora em um hotel.

Drª Risadinha: Nossa, que legal. Como é morar em um hotel?

Orlando: Não, não é legal. É deprimente. Não posso cozinhar, fazer nada que se faz em uma casa. É muito impessoal.

Drª Risadinha: Você tem filhos?

Orlando: Sim.

Drª Risadinha: Eles vem te visitar?

Orlando: Não.

Apesar de sentir que o assunto o chateava continuei, pois parecia que precisava desabafar. Descobri que deseja se mudar para o litoral paulista, onde nasceu e morar próximo de sua mãe. Porém, ele não acredita muito em sua recuperação.

Drª Risadinha: Orlando, você gosta do mar, de fazer caminhada?

Orlando: Amo o mar e fazer caminhada é muito bom.

Então, você tem que fazer a sua parte. Pensa na imensidão do mar. Essa é a vida que você tem pela frente...IMENSA como o MAR. Você tem que lutar para caminhar e fazer essa mudança. Pense no mar, pois daqui a pouco tempo estará na praia brincando com a areia.
Nos despedimos e ele me prometeu que iria se esforçar.

Todos os relatos são baseados em fatos reais, porém, os nomes dos personagens são fictícios para preservar sua identidade.

terça-feira, 1 de julho de 2008

Quer ser um doutor? Increva-se!


Novas turmas de formação de voluntários

Chegou aquele momento de expandir a família Canto Cidadão!
Durante o mês de julho faremos os processos seletivos para formação de novas turmas de voluntários durante o segundo semestre. Inicialmente serão duas turmas de Doutores Cidadãos e três turmas de Brinquedistas.
Para se inscrever nesta primeira etapa do processo seletivo, é fundamental que o interessado acesse o link abaixo e siga as instruções. Em caso de dúvida, fale conosco!

Clique para acessar as informações!

Beijos e sorrisos,

Felipe Mello e Roberto Ravagnani.
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Canto Cidadão: cada vez mais, cada um de nós!

www.cantocidadao.org.br

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Aprendendo sobre família

Titãs
"Família! Família!
Papai, mamãe, titia
Família! Família!
Almoça junto todo dia
Nunca perde essa mania..."

Ontem, 24 de junho, não pulei a fogueira de São João. Apesar da noite fria criei coragem para participar da RRV. Achei um pouco estranho, pois haviam poucas pessoas...mas logo 'o tico e o teco' funcionaram ... é lógico era a Reunião Reduzida de Voluntários e não a Reunião Regional de Voluntários.
Conversamos sobre família e seus vários aspectos. Aprendi muito com a psicóloga que nos deixou muito à vontade e com as vivências de todas do grupo. É essencial respeitarmos e identificarmos as diferentes situações para que desse modo realmente ajudemos.
Meninas, muito obrigada pela companhia até o metrô.
Beijocas no coração de cada um dos doutores.

Beleza pura

Encontramos a irmã de Kelly no corredor e ela nos pediu para irmos visitá-la. Coincidência ou não Kelly estava no primeiro quarto que entramos. Percebe-se rapidamente que trata-se da filha caçula, paparicada pelas irmãs e pela mãe. Porém, apesar dos mimos que recebia dava sinais de tristeza e desânimo. Insistimos e pedimos a ajuda dos parentes e nada. Kelly é uma linda menina de 16 anos.
Tentamos pela via musical. Ela disse que gostava de todo tipo de música, mas não falava exatamente de qual. Seu cunhado nos ajudou dizendo que era do RBD. E lá fomos nós cantar e dançar “se sou rebelde lá lá lá...” Então ela teve uma reação: - Só gostava deles quando era mais nova. Pagamos o maior mico à toa rsrs.
Diante da falta de repertório resolvemos fazer uma proposta: iríamos ver nossos outros amigos, mas antes de irmos embora voltaríamos lá para ela cantar uma música.
E assim foi feito. Não é que ela realmente pensou em uma música, inclusive sabia os nomes do intérprete e canção na ponta da língua. Após um logo convencimento ela nos ajudou a cantar...ah, e sua mãe também. Aliás, elas sabiam bem mais da letra do que a gente.
Pensando bem, o título da canção é o retrato de Kelly: Beleza Pura, especialmente quando ela abriu um largo sorriso. Ganhamos a noite (eu, Kelly, Dr.Caboclinho e a mãe de Kelly).

Beleza pura (trecho)
Caetano Veloso

Não me amarra dinheiro não!
Mas formosura
Dinheiro não!
A pele escura
Dinheiro não!
A carne dura
Dinheiro não!...

Moça prêta do Curuzu
Beleza Pura!
Federação
Beleza Pura!
Bôca do rio
Beleza Pura!
Dinheiro não!...

Quando essa prêta
Começa a tratar do cabelo
É de se olhar
Toda trama da trança
Transa do cabelo
Conchas do mar
Ela manda buscar
Prá botar no cabelo
Toda minúcia, toda delícia...

Não me amarra dinheiro não!
Mas elegância...

Todos os relatos são baseados em fatos reais, porém, os nomes dos personagens são fictícios para preservar sua identidade.

sábado, 14 de junho de 2008

Literatura da vida


Descobrimos uma professora de literatura que ama Manuel Bandeira e mais ainda Carlos Drummond.
Fiquei hipnotizada por essa pessoa. Em minutos fiz inúmeras perguntas sobre sua vida. A ponto do Dr. Caboclinho dar um toque de que era necessário visitar outros amigos. Ela se emocionou ao falar que o ex marido que não via há quase uma década viera lhe visitar no hospital.
Professora quase aposentada e cansada do grande desinteresse dos alunos falava de suas ‘andanças’ na educação. Pedi que recitasse suas poesias prediletas. Fiquei refletindo ali mesmo como era a vida dela antes da doença. Percebi também que as enfermeiras ficaram impressionadas com tamanha bagagem cultural. Na correria diária para cuidar de todos fica difícil conhecer a história de cada um.
Drª Risadinha: - Cássia...seus alunos não fazem idéia de que quanta coisa deixaram de aprender com você.

Todos os relatos são baseados em fatos reais, porém, os nomes dos personagens são fictícios para preservar sua identidade.

Um amor de cachorro


Fábio não vê a hora de ir embora.

De quem você tem mais saudade?

Do meu cachorro.

Caramba, pensei que fosse da sua mãe.

A minha mãe vem aqui quase todo dia, ele não pode entrar. O “xuxu” tem 1 ano e meio e mede 1,90m. Meu Deus. Que é isso (rs).

Ele vai crescer até os dois anos, mas só tem tamanho, é bobalhão. Agora, ele pode te derrubar se quiser te dar um abraço (risos).

Todos os relatos são baseados em fatos reais, porém, os nomes dos personagens são fictícios para preservar sua identidade.

Medo de casamento


Fomos pegos pelo braço no corredor. A esposa de seu Edson, Hortência, desejava que o conhecêssemos. Eles moram juntos há 16 anos e tem uma filha de 15. Porém, se casaram oficialmente apenas em fevereiro deste ano. Hortência nos revela que ele começou a ficar doente depois do casório e nos mostra a foto do dia, todos em traje de gala, chiquerrímos.
Hortência: - O médico afirmou que a doença realmente é de caráter emocional. Acho que foi o peso da responsabilidade.
Edson: - Fiquei muito feliz, mas casar de papel passado dá medo (contava animado). (como esse ele não fosse um pai de família há anos)
Dr. Caboclinho: Mas agora você tem que melhorar, pois tem uma família para cuidar (risos).
Nesse clima nos despedimos para que as visitas que chegavam pudessem ficar à vontade. O movimento nesse quarto era intenso, o que demonstra como Edson é querido pelos amigos e familiares.
Drª Risadinha: - Hortência, por favor, não mostre mais essa foto do casamento, pois senão o homem vai passar mal.

Todos os relatos são baseados em fatos reais, porém, os nomes dos personagens são fictícios para preservar sua identidade.

Imaginação

Nadelize tem nove irmãos e todos com letra N. A mãe dela, uma nordestina simpática, disse que adorava inventar nomes e daí a criatividade rolou solta. Não recordo o nome de todos tamanha a imaginação.

Todos os relatos são baseados em fatos reais, porém, os nomes dos personagens são fictícios para preservar sua identidade.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

O segredo do truque (Por Deise Vieira)


Um nariz vermelho, uma certa dose de espontaneidade (ou cara de pau) e muita simpatia. Não foi preciso mais do que isso na "receita" para colorir o dia e provocar uma enorme quantidade de sorrisos. A responsável por isso? Dra. Risadinha Risolina.
O convite foi inusitado: ser sua assistente por um dia, acompanhando-a durante a festa junina da APAE Diadema. Não sabia o que esperar, mas aceitei! E graças a Deus, pois além de ter uma tarde superagradável, pude ver de perto inúmeras manifestações de alegria despertadas por ela.
Apesar de ser uma palhacinha, ela não precisou contar piadas, fazer malabarismos, nada disso. A “mágica” foi bastante simples, o “truque”: dar um pouco de atenção e carinho às pessoas.
Foi muito gratificante observar como as pessoas se alegraram e algumas até se surpreenderam com a presença dela. Cada um tem um jeito de se expressar, mas os sorrisos foram unânimes. Algumas senhoras tinham o “riso fácil”, algumas crianças bem pequeninhas tinham medo, mas depois se acostumavam com a luva azul e o sol desenhado no rosto da Dra. Risadinha. Garotos envergonhados hesitavam, mas logo já estavam rindo com ela.
Foi maravilhoso ver tantas pessoas contentes, isso não tem preço!
Dra. Risadinha, que sorte a minha ter sido sua assistente!

Deise Vieira de Souza.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Sábado ensolarado


O sol neste sábado brilhava forte e o motivo descobriria um pouco mais tarde, pois resolvi fazer uma visita diferente. Motivada pelo convite de uma amiga fui conhecer a APAE Diadema. Era dia de festa Junina, atração que, aliás, já entrou para o calendário oficial da cidade. Tinha dois desafios pela frente: atuar pela primeira vez sozinha e em uma festa com muita gente.
Além da maravilhosa organização, muita comida boa, brincadeiras e danças, a Drª Risadinha parecia uma celebridade no meio do Arraiá. Fiquei emocionada com tanto carinho.
A doutora teve apenas tempo de colocar os pés no corredor e a criançada e seus respectivos pais começaram a tirar fotos com a dita cuja. Era um abraço aqui, outro acolá. Praticamente a doutora quem foi atendida (rs).
Foi uma experiência muito especial e inesquecível. Dançamos muito e sorrimos também. Perdi as contas de quantas fotos... acho que beirou 200. Viva o celular com câmera, nunca tinha visto tanta variedade. E nem adiantava dizer que não sabia segurar recém-nascido, as mães confiam plenamente em palhaços.
Drª Risadinha: - A senhora não quer sair na foto também?
Mãe: - Não, pode segurar.
Drª Risadinha: - Mas não levo muito jeito ....
Mãe: - Leva sim, pega, pega.

Só sei que no final da tarde já estava craque na modalidade ‘segura bebê’. Ah, o nenê chorava, mas não adiantava... as mães queriam uma foto a todo custo.
Um fato curioso aconteceu após a descaracterização. Minha amiga Havolene estava bem quieta em um cantinho comendo um pastel muito gostoso...quando uma mãe chega com a filha de oito anos e diz:
- Filha, quem é essa moça?
- Hummmmmmmm!!! (pensa a menina)
- A palhaça!!!
- Ah, assim não vale. Então esse é nosso segredo.
- Fechado.

Mais que o ‘sucesso’ (rs) ganhei meu dia por ter conhecido tantas pessoas queridas e do bem. Dava para sentir no ar o quanto a união faz a diferença: voluntários felizes trabalhando nas barracas, famílias de atendidos radiantes e verdadeiramente incluídos e a comunidade participando ativamente de uma causa tão bela.

Obrigada mais uma vez Tamara e Tatiana pelo convite, Deise pela companhia e fotos, pessoal da APAE pela acolhida e do Canto pelo incentivo.

Dentro e fora (Luan Jessan)

Por fora
tenho tantos anos
que você nem acredita.
Por dentro, doze ou menos,
e me acho mais bonita.
Por fora, óculos;
algumas rugas,
gordurinhas,
prata nos tintos cabelos.
Por dentro sou dourada,
Alma imaculada,
corpo de modelo.
Por fora, em aluviões,
batem paixões contra o peito.

Paixões por versos, pinturas,
filosofia e amigos sem despeito.
Por dentro, sei me cuidar,
vivo a brincar, meio sem jeito.
Não me derrota a tristeza;
não me oprime a saudade;
não me demoro padecente.
E é por viver contente
que concluo sem demora:
é a menina
que vive por dentro,
que alegra
a mulher de fora!

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Coincidências?


Chovia muito, não tinha guarda-chuva e me molhei no caminho para o hospital. A roupa estava ensopada, mas logo peguei a roupa seca da Drª Risadinha. Ufa! Mas qual não foi minha surpresa ao me dar conta de que havia esquecido o nariz, a peça chave da personagem. Sentei desolada no banco de vestiário. E agora?
Pensei: tenho duas opções. Tiro a roupa da Risadinha e visto a molhada, volto para casa e deixo o meu companheiro Caboclinho sozinho ou ??? E agora? Ah, já sei: ou pinto meu nariz de vermelho, mas se não der certo? Mas já que estou aqui não tenho nada a perder. E lá fui pintar o narigão, alguns minutos depois lá estava a Drª Risadinha no corredor se sentindo nua. O Dr. Caboclinho percebeu na hora, mas me incentivou a continuar. Mesmo me sentindo sem graça optei por ir em frente.
Conclusão: apenas duas pacientes perceberam a falta do adereço e mais uma vez pude comprovar que as pessoas precisam e esperam bem mais que uma palhaçada. Desejam ser ouvidas e conversar nem que seja sobre qualquer coisa.

Contudo, quero contar o que aconteceu nesse mesmo dia:

Ao iniciarmos o atendimento, antes de entrar no elevador cruzamos com enfermeiros empurrando uma maca com um paciente que foi a óbito. Enfim, seguimos nosso caminho e como de costume entramos na capela, localizada no quinto andar.
Lá estavam uma moça que chorava muito e uma senhora. A moça, desesperada gritava pela mãe, se debruçava sobre a bíblia tentando encontrar uma explicação. A senhora que a acompanhava consolava-a, mas não chorava. Fizemos nossas orações e já íamos saindo quando o Caboclo resolveu dar um oi para ambas. Nesse instante a senhora, que na verdade era tia da moça pegou no braço do Caboclinho e pediu para que ele as ajudasse. Estávamos lá há uns dois minutos e só quando nos aproximamos e estendemos nossas mãos é que aquela senhora teve coragem de chorar e até precisou se sentar. Então, entendemos que se fez de forte, mas poxa, nos demos conta de que aquela paciente que os enfermeiros levavam era a mãe e irmã dessas mulheres.
A senhora pediu para ficarmos mais um tempo ali e, assim, permanecemos. Foi uma emoção tão forte que não tínhamos palavras, ficamos em silêncio. Nesse momento tive certeza de que a chuva, o nariz esquecido, a dúvida, nada poderia ser empecilho para estarmos presentes naquele momento da vida delas. Tive a plena consciência de que deveria estar exatamente naquele lugar. Realmente, nada acontece por acaso.


Todos os relatos são baseados em fatos reais, porém, os nomes dos personagens são fictícios para preservar sua identidade.

sábado, 19 de abril de 2008

Chico Mineiro


A música abaixo é uma homenagem aos meus amigos, Antonio, Elcio e Polenticão, que são sertanejos de plantão.
Um grande beijo!

CHICO MINEIRO
Composição: Tonico e Francisco Ribeiro


Cada vez que me "alembro"
do amigo Chico Mineiro,
das viage que nois fazia
era ele meu companheiro.
Sinto uma tristeza,
uma vontade de chorar,
alembrando daqueles tempos
que não hai mais de voltar.
Apesar de ser patrão,
eu tinha no coração
o amigo Chico Mineiro,
caboclo bom decidido,
na viola era delorido e era o peão dos boiadeiro.
Hoje porém com tristeza
recordando das proeza
da nossa viage motin,
viajemo mais de dez anos,
vendendo boiada e comprando,
por esse rincão sem-fim
caboco de nada temia.
Mas porém, chegou o dia
que Chico apartou-se de mim.

Fizemo a urtima viage
Foi lá pro sertão de Goiai.
Fui eu e o Chico Mineiro
também foi um capatai.
Viajemo muitos dia
pra chega em Ouro Fino
aonde noi passemo a noite

numa festa do Divino.
A festa tava tão boa
mas ante não tivesse ido
o Chico foi baleado
por um home desconhecido.
Larguei de compra boiada.
Mataram meu cumpanheiro.
Acabou o som da viola,
acabou seu Chico Mineiro.
Despoi daquela tragédia
fiquei mais aborecido.
Não sabia da nossa amizade.
Porque nós dois era unido.
Quando eu vi os seus documentos
me cortou meu coração
vim sabê que o Chico Mineiro
era meu ligítimo irmão.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Sertanejo nato



Entramos no quarto de seu Antonio e conversamos com seu sobrinho e sua esposa. Eles nos contaram que ele é o violeiro e animador oficial das festas da família.
Por isso, pedi que cantasse alguma coisa, mas a voz dele não saia. Então, líamos os lábios dele e lembrávamos da letra da música. Parecia uma brincadeira, pois ele movimentava a boca e nós emprestávamos as vozes.
Foi um momento muito tocante, uma vez que ele realmente estava se esforçando para cantar, mas o som da voz não saia. Deu para perceber o quanto ele gosta de cantar.

Nos despedimos e fomos falar com os outros amigos.

... alguns minutos depois...

Não acredito que as coisas aconteçam por acaso, mas acredito em milagres. Quando já íamos embora o Caboclinho teve a idéia de voltar no quarto do seu Antonio para conversar um pouco mais com o outro paciente, o seu José, que acompanhamos há meses.
Ao entramos novamente no quarto ficamos boquiabertos, pois o seu Antonio, aquele mesmo que há uns 50 minutos não conseguia articular uma palavra, estava cantando alto e com toda energia as músicas que tanto ama.

Falamos para a esposa dele

Dr.Caboclinho e DrªRisadinha: - Mas como isso é possível?

Clara: Foi a visita de vocês. Ele não falava nada há dias.

Seu Antonio não nos deixou nem raciocinar sobre o assunto e começou a cantar.

Seu Antonio: - Fui eu e o Chico Mineiro, também foi um capatai... e emendava uma música na outra.
Demos tchau e ele continuava a cantarolar. Ao colocar os pés no corredor concluímos que os habitantes daquele setor não dormiriam essa noite (rs).

Todos os relatos são baseados em fatos reais, porém, os nomes dos personagens são fictícios para preservar sua identidade.

Sonho construído bloco a bloco


Pessoal, minha amiga Havolene escreveu um texto e resolvi postar aqui.

Casa. O que vem à sua cabeça quando pensa nessa palavra? O normal é imaginar um lugar confortável, onde uma pessoa ou uma família viva e passe momentos juntos, realizando suas atividades pessoais.
Por vezes, desejamos possuir mais que uma...como cantava Elis Regina “Quero uma casa no campo, onde eu possa ficar do tamanho da paz (...) Onde eu possa plantar meus amigos, meus discos e livros e nada mais”.
Em resumo, casa significa refúgio, um lugar seguro. Porém, muitos não têm nem um espaço minimamente digno e vivem, ou mais exatamente sobrevivem longe desse lugar ideal.
Assim, um direito garantido pela Constituição torna-se um sonho, quase uma utopia.
Infelizmente, essa ainda é a realidade de muitos. Difícil apontar culpados: poder público, crescimento desordenado, falta de planejamento familiar, desemprego?
Em meus garimpos como repórter fui à casa de uma família beneficiada por um programa social. A mãe que vivia com os cinco filhos em um quarto sem janela, dividindo espaço com fogão, pia, geladeira, dormia sentada. Afinal, não deixaria um filho dormir na cadeira. O mais emocionante foi o depoimento do menino de 10 anos, muito inteligente e esperto. “Antes tinha vergonha, mas agora posso convidar meus amigos para virem me visitar”.
É uma lição de vida conhecer a realidade de tantos que lutam - como eu e você - por um futuro melhor e ter a impressão de que não saem do lugar. Ao mesmo tempo, é como uma renovação na alma quando se presencia a esperança e o otimismo dessas famílias diante de seu duro cotidiano.
E a cada mês conquistam com seu trabalho e suor um metro de piso e areia, um milheiro de blocos. Pode parecer pouco, mas para eles isso vale muito, significa construir degrau por degrau a dignidade de sua família.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Chuva de prata


Hoje encontrei um amigo da Havolene e ele insistia que eu era ela. Vê se pode, mas até entendo o rapaz, pois a convivência faz com que as pessoas se pareçam mesmo. Diante de tanta insistência a Drª Risadinha ficou amiga dele também.

Logo depois conhecemos dona Vitória que ama Vicente Celestino e Jair Rodrigues. Porém, como ela não ajudava a escolher ou lembrar de uma música resolvemos cantar:

Drª Risadinha e Dr.Caboclinho: - Ala la ohooho, mas que calor ohooho.

Daí ela se manifestou e pediu...

- Vocês conhecem a jardineira?

Drª Risadinha e Dr.Caboclinho: - Que jardineira? Aquele ônibus ou a roupa?

Vitória: - Não, aquela música: oh, jardineira por que estais tão triste? Mas o que foi que te aconteceu? Foi a camélia que caiu do galho, deu dois suspiros e depois morreu.

Drª Risadinha e Dr.Caboclinho:- Pegamos a senhora... cantou tudo sozinha. (risos)

Vitória: - Vocês sabem o que é uma jardineira?

Drª Risadinha e Dr.Caboclinho: - Não.

Vitória: - É uma flor.

Drª Risadinha e Dr.Caboclinho: - É isso aí, dona Vitória também é cultura.

No quarto dos Carlos: João Carlos, Roberto Carlos e seu Carlos a animação era missão quase impossível, mas eis que a filha de seu Carlos revelou que a música preferida dele é: Chuva de Prata. Pra que? Soltamos o gogó. Foi tanto que até as enfermeiras vieram correndo ouvir.

Drª Risadinha e Dr.Caboclinho:-
Chuva de prata que cai sem parar, quase me mata de tanto de esperar...

Seu Carlos, filha dele, Drª Risadinha e Dr.Caboclinho:...você deve acreditar no que é lindo.

Todos: - Quando o amor disser vem comigo, pode ir fundo.... isso que é o que seu Carlos?

... Isso que é viver.

E a alegria que tomou conta de seu Carlos ajudou a animar os companheiros.

Depois o Dr.Caboclinho me contou que seu Carlos tem catarata, e, por isso, ficou cego. Ao saber disso, fiquei emocionada e impressionada, pois dos três pacientes presentes, ele foi o mais participativo e em nenhum momento percebi sua cegueira, pois vê com os olhos da alma.
Todos os relatos são baseados em fatos reais, porém, os nomes dos personagens são fictícios para preservar sua identidade.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Significado

Quando entramos em um dos quatros a luz estava apagada e Joana dormia. Ao acordar e abrir os olhos espantou-se:

Joana: - Uai (com uma cara do tipo não estou entendendo nada)

Dr.Caboclinho e DrªRisadinha: - Oi, podemos entrar?

Joana: - Nossa, é um palhaço. Com esse chapéu pensei que fosse meus parentes do interior. (risos)

Dr.Caboclinho e DrªRisadinha: - A senhora é da onde?

Joana: - Do interior de São Paulo.

A partir daí a conversa continuou animada.
Joana e Eduarda (companheira de quarto) contaram que fazem caminhada no hospital. Tornaram-se grandes amigas, pelo menos já sabem vários detalhes da vida uma da outra.
Confesso que fico impressionada ao sentir a energia que essas pessoas têm, nem aparentam que estão há tanto tempo internadas.
Um exemplo é a Meire, que de tão empolgada a colega de quarto alertou:

Ana: - Daqui a pouco ela vai querer sair da cama e dançar.

Meire:
- Vamos dançar quadrilha? Vamos compadre? Esse moço é muito simpático.
Antes que as enfermeiras nos expulsassem resolvemos sair.
Meire tinha um curativo no pescoço e apontou para o queixo do Caboclinho.

Meire: - Achei o seu remendo. (referindo-se ao cavanhaque do Caboclo)
E o povo do quarto riu demais.

Para fechar a noite as pacientes atenderam um pedido de uma enfermeira. Assim, elas cantaram e nós demos uma forcinha:“É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã, porque se você parar pra pensar, na verdade não há..."
Foi um momento mágico entre centenas dos quais vivemos. Um gesto, um aceno, um aperto de mão, um beijo que voa pelo ar. Tudo parece insignificante em nosso dia-a-dia corrido, mas quando se pára por três horas como esses aqui doutores fazem a cada 15 dias e presta-se atenção... cada movimento torna-se grandioso e entende-se o que a vida é muito mais do que podemos compreender.

Todos os relatos são baseados em fatos reais, porém, os nomes dos personagens são fictícios para preservar sua identidade.

sexta-feira, 28 de março de 2008

Calças molhadas

Venha comigo a uma sala de aula do terceiro ano...
Há um menino de nove anos sentado na sua mesa
e de repente há uma poça entre seus pés,
e parte de suas calças está molhada.
Pensa que o seu coração vai parar
porque não pode imaginar como isso aconteceu.
Nunca tinha acontecido antes,
e sabe que quando os meninos descobrirem nunca mais o deixarão em paz.
Quando as meninas descobrirem, nunca mais falarão com ele.
O menino acredita que o seu coração vai parar;
baixa a cabeça e reza esta oração: "Querido Deus, isto é uma emergência!
Eu necessito de ajuda agora! Mais cinco minutos e todo o mundo vai rir de mim!!!".
Levanta a cabeça e vê a professora a chegar com um olhar que diz que foi descoberto.
Enquanto a professora está a andar até ele, uma coleguinha chamada Susie está a carregar um aquário cheio de água.
Susie tropeça na frente da professora e despeja inexplicavelmente a água no colo do menino.
O menino finge estar irritado, mas ao mesmo tempo, interiormente, diz: "Obrigado, Senhor! Obrigado, Senhor!".
De repente, em vez de ser objeto de ridículo, o menino é objeto de compaixão.
A professora desce apressadamente com ele e dá-lhe uns calções de ginástica para vestir enquanto as suas calças secam.
Todas as outras crianças estão sobre as suas mãos e joelhos, limpando ao redor da sua mesa.
A compaixão é maravilhosa. Mas como tudo na vida, o ridículo que deveria ter sido dele foi transferido para outra pessoa - Susie.
Ela tenta ajudar, mas dizem-lhe para sair. "Já fizeste demais, sua grosseira!".
Finalmente, no fim do dia, enquanto estão à espera do transporte,
o menino caminha até Susie e sussurra-lhe , "fizeste aquilo de propósito, não foi?".
E Susie sussurra-lhe, "eu também molhei as minhas calças uma vez".
Autor desconhecido

Compreendi

“Compreendi que a vida não é uma sonata que, para realizar sua beleza, tem de ser tocada até o fim. Dei-me conta, ao contrário, de que a vida é um álbum de minissonatas. Cada momento de beleza vivido e amado, por efêmero que seja, é uma experiência completa que está destinada à eternidade. Um único momento de beleza e de amor justifica a vida inteira”.
Rubem Alves

quinta-feira, 20 de março de 2008

A verdadeira Páscoa

Meus amados,

Desejo mais que comer chocolates de todos os formatos e sabores ou curtir mais um feriadão, lembrar o real significado da Páscoa: a Ressureição de Cristo.
Recordar esse momento não é ser carola, é sim, refletir sobre nossas ações, é sinal de esperança, de que é possível mudar,evoluir,melhorar e ajudar aqueles que precisam de nós.E perceber que também há sempre uma mão estendida para nos socorrer.
Não duvide de que um sorriso, um ouvido amigo ou um aperto de mão faz toda a diferença. Duvide menos ainda que a partir daí você e eu veremos acontecer a verdadeira RESSUREIÇÃO a cada segundo de nossas vidas. E, que afinal, isso é celebrar a PÁSCOA.

Um grande beijo!

segunda-feira, 10 de março de 2008

Nunca abandone aquele que você Ama

Recebi um e-mail hoje com o texto abaixo e, apesar de não saber se é verídico, posso afirmar que eu e meus amigos doutores já testemunhamos milagres como esse.
Um exemplo é o SORRISO, algo muito simples para alguém que está aqui fora, mas uma grande vitória para quem está internado há meses.

Leia com carinho:

“Como qualquer mãe, quando Karen soube que um bebê estava a caminho, fez todo o possível para ajudar o seu outro filho, Michael, com três anos de idade, a se preparar para a chegada. Os exames mostraram que era uma menina, e todos os dias Michael cantava perto da barriga de sua mãe. Ele já amava a sua irmãzinha antes mesmo dela nascer. A gravidez se desenvolveu normalmente.
No tempo certo, vieram as contrações. Primeiro, a cada cinco minutos;depois a cada três; então, a cada minuto uma contração.
Entretanto, surgiram algumas complicações e o trabalho de parto de Karen demorou horas.
Todos discutiam a necessidade provável de uma cesariana. Até que, enfim, depois de muito tempo, a irmãzinha de Michael nasceu. Só que ela estava muito mal. Com a sirene no último volume, a ambulância levou a recém-nascida para a UTI neonatal do Hospital Saint Mary. Os dias passaram. A menininha piorava. O médico disse aos pais: "Preparem-se para o pior. Há poucas esperanças".
Karen e seu marido começaram, então, os preparativos para o funeral.
Alguns dias atrás estavam arrumando o quarto para esperar pelo novo bebê. Hoje, os planos eram outros.
Enquanto isso, Michael todos os dias pedia aos pais que o levassem para conhecer a sua irmãzinha. "Eu quero cantar pra ela", ele dizia. A segunda semana de UTI entrou e esperava-se que o bebê não sobrevivesse até o final dela. Michael continuava insistindo com seus pais para que o deixassem cantar para sua irmã, mas crianças não eram permitidas na UTI. Entretanto, Karen decidiu. Ela levaria Michael ao hospital de qualquer jeito. Ele ainda não tinha visto a irmã e, se não fosse hoje, talvez não a visse viva. Ela vestiu Michael com uma roupa um pouco maior, para disfarçar a idade, e rumou para o hospital. A enfermeira não permitiu que ele entrasse e exigiu que ela o retirasse dali. Mas Karen insistiu: "Ele não irá embora até que veja a sua irmãzinha!"
Ela levou Michael até a incubadora. Ele olhou para aquela trouxinha de gente que perdia a batalha pela vida. Depois de alguns segundos olhando, ele começou a cantar, com sua voz pequenininha: "Você é o meu sol, o meu único sol. Você me deixa feliz mesmo quando o céu está escuro..." Nesse momento, o bebê pareceu reagir. A pulsação começou a baixar e se estabilizou. Karen encorajou Michael a continuar cantando. "Você não sabe, querida, quanto eu te amo. Por favor, não leve o meu sol embora..." Enquanto Michael cantava, a respiração difícil do bebe foi se tornando suave. "Continue, querido!", pediu Karen, emocionada.
"Outra noite, querida, eu sonhei que você estava em meus braços..." O bebê começou a relaxar. "Cante mais um pouco, Michael." A enfermeira começou a chorar. "Você é o meu sol, o meu único sol. Você me deixa feliz mesmo quando o céu está escuro...Por favor, não leve o meu sol embora..."
No dia seguinte, a irmã de Michael já tinha se recuperado e em poucos dias foi para casa.
O Woman's Day Magazine chamou essa história de "O milagre da canção de um irmão". Os médicos chamaram simplesmente de milagre. Karen chamou de milagre do amor de Deus.
NUNCA ABANDONE AQUELE QUE VOCÊ AMA. O AMOR É INCRIVELMENTE PODEROSO”

quarta-feira, 5 de março de 2008

A poesia da vida

Leia e reflita. Esse texto foi escrito por minha amiga Tatiana Ferreira – mais lindos como este estão no www.tatypenelope.zip.net. Obrigada querida por permitir publicá-lo.Acessem e comentem.

Pare e sinta que a vida é pura poesia.

Adoro poesia
Mas a maior poesia é a vida
Com suas lições
Com seus encantamentos diários
Com a vida que nasce
Com o dia que amanhece
Com o brilho do sol
Com a luz do luar
A poesia da vida
É ter amigos verdadeiros
É ter uma família sempre por perto
Mas não necessariamente perto fisicamente
Existe poesia no se falar pelo pensamento
Em adivinhar o que o outro pensa ou sente
Em fazer alguém feliz
Com um gesto, com uma palavra
Com um carinho, com um toque
Com um sorriso
Com um beijo
Com uma flor
Com um sentimento mútuo e verdadeiro
Existe poesia no cantar
Existe poesia ao seu redor
Por todos os cantos e lados
Basta saber senti-la
Basta abrir os olhos
A mente e o coração
Permita – se respirar poesia
Permita - se amar
Permita - se orar
Tenha fé
Não existe poesia mais verdadeira
Tocante, profunda e perfeita

domingo, 2 de março de 2008

O rio da cidade grande

Nessa minha breve vida de doutora fico sabendo de muitas coisas. Esses dias descobri como um hospital continua funcionando em meio ao caos de uma cidade ilhada.
Para quem não sabe, na quinta-feira, dia 21 de fevereiro, o rio Tamanduateí (Santo André) transbordou. Logo, ninguém saía, nem entrava na cidade. O hospital no qual atendemos teve que remanejar seu quadro de funcionários. Fomos ao hospital no sábado, dia 23, e os pacientes contaram que enfermeiros, auxiliares, médicos e quase todos os profissionais que velam por seu bem-estar tiveram que dobrar o turno. Até as visitas não conseguiram chegar. Apesar dos pesares tudo ficou sob controle.

Drª Risadinha:- Vocês que se deram bem. Com as pernas para o ar...enquanto o povo estava na chuva.

Pacientes: - Fazer o que, né? Temos que ter alguma vantagem (risos).

Agora, chamo a atenção para algumas cenas fora do ambiente hospitalar, mas uma prova de que a todo momento precisamos de alguém.

As águas subiram do rio Tamanduateí e o calor humano nas ruas e dentro dos ônibus também. O rapaz que acordou às 4h da manhã dessa quinta-feira estava quase 24 horas sem dormir. Embora, até chegar ao seu destino, em Ferraz de Vasconcelos na madrugada dessa sexta o tempo tenha se completado. A história dele não era muito diferente dos que estavam ali. Inúmeras pessoas ilhadas, alguns passaram mais de 360 minutos de suas vidas dentro de um ônibus. Comer, ir ao banheiro, beber água, era algo impossível para a maioria. Infelizmente ninguém estava no Big Brother Brasil e o prêmio para a prova de resistência não era um carro zero.
Depois de uma longa espera, de andar trechos a pé, ver o túnel da estação Santo André submersa, eis que um ônibus apareceu e saiu em 10 minutos, que na circunstância foi um tempo recorde. Os passageiros comemoraram com vivas e risadas. Afinal, íamos para casa. Mera ilusão, três horas mais tarde tínhamos dado uma volta no quarteirão.
Nessas horas penso sobre as teorias acerca dos moradores das grandes cidades: que se sentem solitários no meio de uma multidão, que são individualistas ou coisas do gênero. Mas não foi isso que presenciei.
Sem que ninguém soubesse o nome do outro, houve uma onda de gentilezas. A senhora que precisava de um bilhete e não tinha dinheiro. Afinal, sair com o passe contado para a viagem é mais comum do que se imagina. As últimas balas compartilhadas para enganar o estômago. A preocupação em saber se o desconhecido precisava de algo ou se sentia bem. O rapaz que daqui a pouco faria 24 horas sem pregar o olho cedeu o lugar para a senhora que havia trabalhado 10 horas em pé e permanecia na mesma posição há quatro.
Mas o receio de quase todo mundo, depois de um longo dia de trabalho eram as possíveis confusões que poderiam ocorrer quando o sangue ferve, aconteceu o inverso. Como é próprio do brasileiro o bom humor reinou até em uma situação tão delicada. E assim as horas passaram, todos em pé, sem ir ao banheiro, sem muito ar. Até o cachorrinho que passeava no colo da dona na rua foi motivo para passar o tempo. – Esse aí está melhor do que a gente, no colo, e chegará mais rápido. Surgiram até planos para vivenciar cenas do filme “Velocidade Máxima”. – Se não tiver mais ônibus no terminal São Mateus (destino) nós mesmos vamos dirigir.
Ah, e o marido ciumento que ligava a cada cinco minutos e pensava que a esposa estava em uma festa por conta do barulho. Os presentes tiveram que ser testemunhas. O plano da senhora em apuro era tecnológico: - Vou comprar um chip e colocar no meu brinco. É pequeno, daí ele poderá me rastrear. Se não fosse sério, tínhamos gargalhado ainda mais.
E a carne comprada no supermercado para o jantar ficou na sacola do supermercado ali, esperando como nós. E era um tal de celular tocando. Famílias, amigos, amantes, todos aflitos. Prova de que a tecnologia também aproxima as pessoas.
Enfim, era a primeira hora do dia 22 de fevereiro de 2008 e chegamos ao nosso destino. Nos despedimos e desejamos boa sorte para os que ainda teriam uma outra viagem pela frente.

A lição foi essa: a cidade grande, às vezes, se faz pequena no interior de um ônibus.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

A aventura de uma doação de sangue

O texto ficou um pouco longo, mas preciso confidenciar a vocês um episódio que duas queridas amigas vivenciaram no último sábado. Então vamos lá. Uma amiga da doutora Risadinha precisava de uma doação de sangue urgente, pois vai ser operada esta semana. Logo, essas amadas que citei há pouco se prontificaram a se doar. O detalhe é que elas nunca tinham passado pela experiência e muito menos conheciam a amiga da doutora que vos fala. Mesmo assim não pensaram duas vezes e aceitaram o desafio.
O surpreendente é que uma delas morre de medo de agulha e a outra adora todas essas coisas relacionadas a hospital. Essa última quando era pequena preferia tomar uma injeção a engolir comprimidos ou tomar aquelas gotinhas. Achava que o efeito era mais contundente. Ela cresceu sem medo das agulhinhas, bem elas que deixam uma galerinha enorme afastada da doação de sangue.
Assim, no sábado, às 9h da manhã, estavam na sala de doação, junto com as outras pessoas que estavam ali também para realizar esse gesto de amor. Uns doariam seu sangue para parentes, amigos, conhecidos, outros tantos para desconhecidos, ou melhor, por Amor ao Próximo, voluntariamente. Afinal, é preciso dar de si, antes de pensar em si.
Então, marcamos um encontro, pois apesar da amizade virtual que elas tem com a doutora Risadinha, não nos conhecíamos pessoalmente.
Fui à sala do banco de sangue e, finalmente, abracei minhas queridas. Ah, deixa eu apresenta-las a vocês, chamam-se: Tamara e Tatiana.
Depois de uma conversa, algumas risadas, me despedi e fui ao encontro de outros amigos, nas clínicas, oncologia e corredores do hospital.
A surpresa foi saber depois que as duas passaram mal, o que é bem normal, especialmente para quem não está acostumado. Porém, a Tamara desmaiou e quase atropela o ônibus. Como assim? O busão parado e a ‘mina’ caiu e rachou a ‘cuca’ e foi parar no hospital. Até o SAMU entrou na parada. Ufa!!! Fiquem tranqüilos. Depois fiquei sabendo que só ficou um galo. Mas o susto que eu e a amiga/ irmã dela passamos não foi fácil. Isso é que eu chamo de dar o SANGUE por uma causa (rs). Por favor, não desistam da doação, pois essas coisas acontecem até com as melhores amigas.

Porém, crianças, por favor, sigam alguns conselhos da doutora Risadinha:

- Se alimentem muito bem, antes, durante e depois de cada doação. Não é preciso estar de jejum, no entanto,evite comidas gordurosas.
- De preferência vá sempre acompanhado de um amigo ao local que irá fazer a doação, pois nessas horas é fundamental ter um conhecido a postos.
- Após a doação, cuidado para não atropelar nenhum ônibus. Isso é prejudicial à saúde.
- E siga os passos de minha amiga, que apesar do incidente e aventura ainda pretende doar, além de sangue, plaquetas e medula.

Só tenho uma coisa a dizer: - Muito obrigada por tanta demonstração de carinho e desprendimento. Parabéns mesmo. Por isso, aconselho essas minhas duas comadres a viver muito ainda, pois há muitas pessoas esperando por alguém que doe SANGUE para que se jorre VIDA em todos os corações. Minha amiga com certeza será eternamente grata pelo lindo gesto de vocês e quando souber dessa aventura toda mais ainda, pois alguém que aparentemente não tinha nada a ver com sua vida quase deu a própria vida por ela. "Ninguém é maior do que aquele que dá a vida por seu amigo".

E você, já doou sangue hoje? Ah, se não puder não se entristeça...há muitas outras maneiras de dar VIDA a alguém. Pense bem.

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Flashes de vida

Encontramos uma senhora no corredor.
- A senhora está esperando alguém?
- Vou ver minha neta.
- Nossa, quando for avó quero ser tão bonita assim.
- E aí como ela está?
- Não está muito bem.
Mariane, um bebê de sete meses tem câncer.
- Ela vai melhorar. A senhora é muito guerreira. (segurei bem forte a mão dela).
- Não, não sou. (ela começou se emocionar)
- Claro que é. Tenha certeza disso. Tudo vai ficar bem.
Nos despedimos e esse foi o primeiro atendimento de hoje.


Entramos em um dos quartos e lá estava seu Armando, nascido em Coimbra / Portugal há mais de 80 anos. “Gosto muito do Brasil, pois é a terra que me acolheu, formei minha família. Mas sempre que posso visito Portugal.

Drª Risadinha: - Quem pode, pode, quem não pode se sacode. Bem que o senhor poderia me levar na mala.

Armando:- Pode deixar que te aviso, pois, pois.

Drª Risadinha: - Então, negócio fechado.Ebaaaaaaaaaaaa!

Depois encontramos o Laerte, eleito o jardineiro dos vizinhos porque ama cuidar das flores da rua onde mora. Mas o pessoal abusa da boa vontade. – Ele não passou o carnaval com as flores, bebeu todas rsrs. Que maldade. Vê se pode. Ele é filho de pernambucano, a mãe é alagoana, nasceu no Paraná e mora em São Paulo. Eita que mistura, esse é bem brasileiro. No meio da conversa ele vem com essa:

- Olha o mico. Vou chegar em Alagoas e dizer que andei de vestido em São Paulo. (referência à camisola que os pacientes, inclusive os homens, usam quando estão internados).

Tem nada não Laerte...essas coisas acontecem nas melhores famílias.

Todos os relatos são baseados em fatos reais, porém, os nomes dos personagens são fictícios para preservar sua identidade.

Folia

Pós-carnaval e o clima de festa ainda estava no ar.
O João pediu uma música para o Caboclinho: Casinha de palha.
Um pedido desses é uma ordem.

Dr.Caboclinho e Drª Risadinha: Casinha de palha lá no ribeirão...esse é o Brasil caboclo, esse é o meu sertão.

E o nosso amigo João ‘caiu do cavalo’, pois pensou que não sabíamos a letra, já que é uma música um pouco antiga. Mais tarde nos confessou que é músico e tem 600 músicas no repertório.
Victor é skatista e nas outras horas vagas também gosta de surfar. Com essa mania nem a piscina escapou.
- Primeiro coloco uma “prancha” na água, coloco um rock bem alto, saio correndo e surfo (ou melhor desliza na piscina).

DrªRisadinha alerta: crianças não tentem fazer isso em casa.

Agora, a festa aconteceu mesmo no quarto de dona Irene se esbaldou com as marchinhas de carnaval. Mamãe eu quero, mamãe eu quero Mamãe eu quero mamar! Dá a chupeta, dá a chupeta, ai, dá a chupeta ...

Eu mato, eu mato quem roubou minha cueca pra fazer pano de prato. Minha cueca tava lavada foi um presente que ganhei da namorada.

O nosso amigo Osmar lembrou que subia pela escada de serviço e distraía os seguranças. Tudo para participar dos bailes na década de 60.

- Oh abre alas que eu quero passar...

Francisco participou por anos do carnaval de rua, em Rio Manso/ Bahia.

Após essa folia toda saímos do hospital cantando ...Você pensa que cachaça é água, cachaça não é água não. Cachaça vem do alambique e água vem do ribeirão

Todos os relatos são baseados em fatos reais, porém, os nomes dos personagens são fictícios para preservar sua identidade.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Noite de Natal

Estou muito atrasadaaaaaa, mas é preciso relatar que era 26 de dezembro e o pai de Iuri aguardava ansioso por seu nascimento. Não pudemos esperar, mas deixamos a energia positiva e votos de felicidade.
Ao entrarmos na clínica encontramos a dupla dinâmica: Almir e Élio. Eles passaram o natal em casa. Voltaram no mesmo horário hoje e por força do destino continuam a ser companheiros de quarto.
Seu Oscar tem 10 filhos. Ele passou mal na véspera de natal e os filhos se revezavam para não deixa-lo por nenhum momento sozinho. Pelo jeito valeu a pena ter sonhado junto com a esposa com o time de futebol. Ah, como lembrou o Dr. Caboclinho o time está completo, pois seu Oscar sempre jogou no gol.
No outro quarto Marilene nos mostra tudo o que recebeu no natal: fotos da família inteira, bombons, flores e cartão do namorado e fez questão de nos mostrar cada detalhe, cada foto. Os filhos e netos passaram o natal com ela no hospital.
Infelizmente nem todos contam com tamanho carinho. Alguns pacientes passaram a noite de Natal no hospital e não receberam sequer uma visita.
Seu Dário teve um acidente vascular cerebral (AVC) e ficou muito feliz e emocionado em nos ver.

Dário: Obrigada por estarem aqui.

Dr. Caboclinho: Nós que agradecemos por sua companhia e garra.


DrªRisadinha:
A gente nunca se esquece dos amigos.
E o querido Dário sorriu ainda mais.

No outro quarto Paulo, de 70 anos, também passou o natal no hospital.
Morador da baixada santista, nos contou que em sua juventude adorava sair correndo e pegar um onda numa sonrisal (uma tábua redonda de madeira, usada entre as décadas de 60 e 80). Lógico que não podia perder a oportunidade:
- Mas você ainda é tão jovem. Topa pegar uma onda? É só combinar que apareço na praia.

Para finalizar o plantão de hoje, descobrimos que um dos seguranças está apaixonado e os amigos da onça que ele tem nos ajudaram a cantar:
É o amor que mexe com minha cabeça e me deixa assim. Aposto que vocês não agüentam mais essa música. Mas como eu amo vão ter que agüentar. É o amor ... kkkk

Todos os relatos são baseados em fatos reais, porém, os nomes dos personagens são fictícios para preservar sua identidade.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Algumas maneiras de fazer alguém feliz

Dê um beijo. Um abraço. Um passo em sua direção.
Aproxime-se sem cerimônia.Dê um pouco de calor, do seu sentimento.
Assente-se bem perto e deixe ficar algum tempo ou muito tempo.
Não conte o tempo de se dar.
Aprenda a burlar a superficialidade.
Sonhe o sonho, sem duvidar.
Deixe o sorriso acontecer.
Liberte um imenso sorriso.
Rasgue o preconceito.
Olhe nos olhos.
Aponte um defeito, com jeito.
Respeite uma lágrima.
Ouça uma história ou muitas, com atenção e sem criticar ou investigar.
Escreva uma carta e mande.
Irradie simplicidade, simpatia, energia.
Num toque de três dedos, observe as “coincidências”.
Não espere ser solicitado, preste um favor.
Lembre-se de um caso.
Converse sério ou fiado.
Conte uma piada. Ache graça.
Ajude a resolver um problema.
Pergunte: Como vai? Como tem passado? Que tem feito de bom?
Que há de novo? E preste atenção!
Sugira um passeio, um bom livro, um bom filme ou mesmo um programa de televisão.
Diga de vez em quando, desculpe, muito obrigado, não tem importância, que se há de fazer, dá-se um jeito.
Tente, de alguma maneira.
E não se espante se a pessoa mais feliz for VOCÊ.

Jesus acende a luz!

O Dr.Caboclinho resolveu tirar umas férias e a Drª Risadinha ficou sem companheiro, mas quem tem amigos, tem tudo. Ah, o especial é que se trata de uma palhaça lindona, a Drª Cacatua, amiga que mora no coração da Risadinha e do Caboclinho.
Nos esforçamos, mas com uma exceção ou outra a noite de hoje foi muito difícil. Atendemos exatamente metade dos pacientes do que o normal, pois haviam várias restrições que nos impediram de entrar nos quartos.

Drª Cacatua e Drª Risadinha: - Jesus apaga a luz.

Tem horas que a melhor saída é zarpar, raspar fora etc...e, hoje, foi com certeza um desses momentos.
Mas nos surpreendemos com a receptividade de todos os funcionários. Não que eles não sejam receptivos, na verdade são maravilhosos, mas acredito que o clima pesado tenha nos aproximado ainda mais. Afinal, precisamos nos apoiar. Hoje, quem precisava de um empurrão éramos nós.
Quando entramos nos elevador encontramos uma paciente na cadeira de rodas já de alta. Ebaaaa você vai embora? Vou, mas queria ficar mais. Adoro ficar no hospital. Eehehe...quem vai entender esse povo.
Eu e minha querida companheira fomos embora um pouco mais animadas...sabendo que Jesus acenderá as luzes daqueles corredores para os próximos atendimentos.

Glossário: Jesus apaga a luz = não ter vontade de enfrentar a situação complicada. Pedir intervenção divina. Paralisar o tempo para que se encontre uma saída.
Jesus acende a luz = que Jesus dê uma luz para solucionar aquele problema
Zarpar = ir embora quando o bom senso gritar
Raspar fora = idem a zarpar

Vocabulário aprendido com meu querido amigo Pedro. O significado foi inventado por mim, mas é bem próximo da realidade rsrs.

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

I will come to you - Hanson

Eu irei até você

Quando você não tiver nenhuma luz para te guiar
E ninguém para andar ao seu lado
Eu irei até você
Quando a noite estiver escura e tempestuosa
Você não terá que procurar por mim
Eu irei até você
Às vezes, quando todos os seus sonhos puderem ter visto dias melhores
E você não souber como ou porque, mas perdeu seu caminho
Não tenha medo quando suas lágrimas estiverem caindo
Eu vou ouvir seu espírito chamando
E eu juro que estarei lá aconteça o que acontecer
Quando você não tiver nenhuma luz para te guiar
E ninguém para andar ao seu lado
Eu irei até você
Eu irei até você
Quando a noite estiver escura e tempestuosa
Você não terá que procurar por mim
Eu irei até você
Todos nós precisamos de alguém em quem possamos nos apoiar
Alguém que irá sempre entender
Então se você sentir que sua alma está morrendo
E precisar de força para continuar tentando
Vou alcançar e pegar sua mão


Ps:Uma homenagem para minha grande amiga Deise

domingo, 27 de janeiro de 2008

Um dia perfeito (Falamansa)

Hoje, a felicidade bate
em minha porta
Hoje, a alegria é de quem vai
e depois volta
Hoje é o dia perfeito
pra fazer tudo direito
O dia perfeito

Se eu não pensar assim
Quem vai pensar por mim?
Se a tua fase é ruim
Ela chegou ao fim

E toda hora é hora e lugar é lugar
Tem que ser agora pra recomeçar
E pra nossa história nunca terminar
Vem comigo agora,
a vida melhorar
E se você vier
Traz a tua fé

Pois é a tua fé
Que move montanhas
Tamanha
Pode acreditar,
pode acreditar, é!
Pode acreditar,
pode acreditar, fé!
Pode acreditar,
pode acreditar, é
Pode acreditar,
pode acreditar
É só acreditar

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Cuide de sua aorta ou horta

A Cida nos contava que vai passar por uma cirurgia.

- Vou fazer a aorta.

DrªRisadinha: - Você vai plantar alface e beterraba?

Drª Andorinheca: - Quem vai cuidar dela?

Cida: - Eu mesma. Preciso parar de fumar e...

Fomos interrompidos por alguém que entrou no quarto.

Dr.Caboclinho: - Então, a senhora precisa parar de fumar e ...

Cida: - Beber.

Dr.Caboclinho: - A senhora bebe?

Cida: - Uma cervejinha? (risos) Às vezes uma ...

Drª Risadinha: - A mardita pinga que me atrapalha...

Andorinheca: - A senhora tem que se cuidar. Não quer viver ainda muitos anos?

Cida: - Falam que é necessário viver 50 anos, pois é, já estou fazendo hora extra.

Andorinheca: - Credo, mas a senhora não quer ver nascer seus bisnetos.

Cida: - O que minha filha? Criança é só pra encher o saco. Tô fora.

Todos os relatos são baseados em fatos reais, porém, os nomes dos personagens são fictícios para preservar sua identidade.

A língua do dudeodádoedáo

O último atendimento foi tudo de bom. A energia estava pra lá de positiva e ainda reforçamos o time com a presença da DrªAndorinheca à Bolonhesa, amiga de faculdade e residência. Fizemos a mesma especialidade: Besterologia com ênfase em ALEGRIA Total.
Gostaria de agradecer pela presença e convidá-la para novas atuações.
No final do atendimento, lá pelas 22h, apertou uma fome daquelas e a bala doada pela Drª Andorinheca fechou a noite com chave de ouro.
Obrigada pela companhia e amizade Doutora.

Enfim, depois da babação mais que merecida vamos ao relato.

Beautiful day

Hoje estava comendo uma trufa e me lembrei de uma frase da Elaine.
- É preciso valorizar as pequenas coisas. Não é necessário muito para ser feliz.

Enquanto saboreava a trufa, tentei me fixar nesse momento, no presente.
Elaine realmente tinha razão. Apesar de desejar que a trufa não acabasse, ela terminou. E assim acontece com todas as coisas da vida. Daí a importância de viver intensamente cada momento.
A Elaine tem leucemia e seu cabelo caiu inteiro depois da quimio. Agora, se vocês pensam que ela é triste, amargurada ou coisa do gênero se enganou completamente. Contou três piadas e se a gente deixasse não saíamos dali tão cedo.

Quase rolamos de tanto dar risada.

Ela nos passou uma coragem e determinação tão fortes que me veio à cabeça, mas dessa vez não cantei. “É preciso estar atento e forte. Não temos tempo de temer a morte” (Divino Maravilhoso /Caetano Veloso)

Dona Zeli, 80 anos, amiga de quarto da Elaine fala o idioma do dudeodádoedáo.

Elaine: - Só o enfermeiro Fabiano entende o que ela diz.

Cássia: - Os dois conversam por muito tempo.

Dona Zeli, em perfeita lucidez só dava risada e, às vezes, tentava puxar um papo na língua do dudeodádoedáodeodaóda. Conseguimos trocar umas palavrinhas, mas vamos convir que o Fabiano é imbatível na fluência da língua.

No outro quarto conhecemos a Cleuza que cria 17 cachorros e falou o nome de todos. São 100 kg de ração por mês. Tem foto de quase todos no celular. Viva a cachorrada ehehe.

Viva mesmo, pois se dependesse da filha de dona Mônica eles estavam perdidos.
Dona Mônica: - O cachorro mordeu ela e no dia seguinte morreu.
Que história de louco.

Ao lado de Cleuza estava a Cláudia uma figura muito interessante. Carioca, 70 anos, mora há 40 em São Paulo e é apaixonada pela cidade. Porém, como uma boa carioca gosta de um pagode e samba. Deu uma paradinha por enquanto, mas pretende voltar em breve.

No último leito tocava o celular da Sandra ao som de Beautiful Day.

Dr.Caboclinho: - U2! Muito bom. Não é porque sou caboclinho que não conheço esse povo internacional. No interior a gente também apricia sô essas coisas da cidade grande.
Sandra que tinha os olhos inchados de chorar, esboçou um sorriso muito lindo.

Beautiful Day Sandra!!!

Todos os relatos são baseados em fatos reais, porém, os nomes dos personagens são fictícios para preservar sua identidade.

domingo, 20 de janeiro de 2008

Sorria

A Força do Sorriso
Patati e Patatá

Se algum amigo estiver triste
Tente ajudar
Use a magia do sorriso
Pra conquistar
De repente
Tudo vai melhorar
Só seu sorriso tudo pode mudar

O seu sorriso me ilumina
Vem me ensinar
Que a tempestade sempre acaba
Posso esperar
De repente vai passar
Formando um lindo arco-íris no ar

Só seu sorriso tem
A força e poder
E a alegria de viver
Com seu sorriso vou conquistar
A alegria de viver e sonhar

Se você quer sorrir ... é só cantar!

Gente, o povo só quer cantar. Como nós nem gostamos e fazemos de tudo para evitar essa situação entramos no primeiro quarto decididos...mas depois de encontrar o Fábio que adora uma musiquinha foi difícil resistir.

- Preciso, preciso de você aqui. Amor eu sou seu dependente, coração carente quer me enlouquecer.

- Seu guarda eu não sou vagabundo, eu não sou delinquente, sou um cara carente, eu dormi na praça pensando nela.

... e para finalizar
eu me amarrei ei, eu me amarrei no seu coração.

Não sei não, mas alguém estava meio com dor de cotovelo

No outro quarto...

A cada dia de visita tenho mais certeza de que aprendemos muito e ao mesmo tempo como as pessoas são diferentes e, principalmente, significativas. Conheci e aprendi a gostar do Patati Patatá com a Cilene. Ela não vê a hora de voltar a conviver com as crianças da escola onde trabalha.
Todas as vezes que a visitamos cantamos juntos o Circo Patati Patatá

As luzes se acendem, já vai começar
Um mundo de magia pra você sonhar
É muita fantasia, é pura diversão
O circo Patati Patatá

As luzes se acendem, já vai começar
Um mundo de magia pra você sonhar
Prepare seu sorriso, prepare a emoção
E abra o seu coração

Com Patati vamos sorrir
Com Patatá vamos brincar
Vem que a vida é feita pra curtir
Vem que a vida é feita pra sonhar

Com Patati vamos sorrir
Com Patatá vamos brincar
Liberte a criança, que existe em você
Criança é alegria de viver

Todos os relatos são baseados em fatos reais, porém, os nomes dos personagens são fictícios para preservar sua identidade.

Bolo de cenoura com muita cobertura de chocolate

Chegamos e logo soubemos que houve um óbito. Alguns minutos mais tarde entramos no quarto com o leito vago. Preferimos não saber quem era o paciente que falecera. As duas pacientes do quarto estavam muito desanimadas.
E uma idéia inusitada nos ocorreu para fugir daquele vazio. Então, começamos a trocar literalmente receitas de bolo. Porém, a Jaqueline não escutava quase nada.

Drª Risadinha e Dr.Caboclinho: A senhora gosta de cozinhar?

Antonia: Sim, muito.

Drª Risadinha: A senhora faz bolo?

Dr.Caboclinho: Sabe fazer de cenoura?

Antonia: Com certeza.

Drª Risadinha e Dr.Caboclinho: Com aquela cobertura de chocolate aiaiai que delícia!

Drª Risadinha e Dr.Caboclinho: Você também sabe fazer bolo?

Jaqueline: Como? Não escuto bem.

... traduzimos a conversa para Jaqueline...
O que dona Antonia falava repetíamos bem devagar, em alto e bom som.

Drª Risadinha e Dr.Caboclinho: Então está fechado. A dona Antonia faz um bolo muito bom e traz pra gente ver se é bom mesmo. O que acha?

- Demorou. Faremos esse sacrifício rsrs.

Respondeu Jaqueline depois de termos feito uma tradução de dar inveja a qualquer intérprete kkk.

E o vazio do quarto foi preenchido com os sorrisos de ambas outra vez.

Moral da história:
1) Comunicação é tudo.
2) Uma boa receita de bolo pode salvar a noite de muita gente.
3) Se ouvirmos com o coração é possível entender todas as mensagens.

Todos os relatos são baseados em fatos reais, porém, os nomes dos personagens são fictícios para preservar sua identidade.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

A cor dos seus olhos

No quarto de seu Carlos, dona Catarina, esposa e acompanhante dele estava abatida.Difícil vê-la assim, pois é uma otimista ao quadrado. Nos preocupamos. Precisávamos reverter aquela situação.

É emocionante presenciar o companheirismo de 50 anos de convivência que se traduz em AMOR legítimo, cúmplice, enfim, verdadeiro. Difícil encontrar algo parecido, mas temos a prova já há quatro meses de carinho e todos os predicados de um verdadeiro amor. Ela não sai do lado dele, raramente, quase nunca vai para casa desde que ele foi internado. Um sentimento como esse passa por tudo, esquece tudo, perdoa tudo e renasce quantas vezes for necessário.

E como uma inspiração dos céus começamos a entoar...

É o amor que mexe com minha cabeça e me deixa assim ..que faz eu lembrar de você e esquecer de mim, que faz eu entender que a vida é nada sem você.

Depois perguntamos ao seu Carlos como se conheceram. Os olhos azuis dela não deixavam dúvidas de que ele se apaixonou à primeira vista.

Foi assim como ver o mar, a primeira vez que meus olhos se viram no seu olhar. Não tive a intenção de me apaixonar, mera distração e já era momento de se gostar. Quando dei por mim nem tentei fugir do visgo que me prendeu dentro do seu olhar.

Ambos se olhavam e choravam. Foi difícil manter a pose e a voz firme, mas continuamos a capela. Acho que desta vez cantamos direitinho, pois dona Catarina nos abraçou agradecida e aliviada.Agradecer pelo que? Nós que seremos eternamente agradecidos.

Em poucos minutos vimos dona Catarina sorrindo outra vez. Ela mandou a tristeza embora.Que felicidade.

Todos os relatos são baseados em fatos reais, porém, os nomes dos personagens são fictícios para preservar sua identidade.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Deixe a criança aparecer

Estava me lembrando esses dias do início do treinamento. Estávamos todos sentados embaixo de uma grande árvore no Parque do Ibirapuera. Primeiro dia, todos acanhados...mas isso não durou muito. Foi o tempo de começar a primeira dinâmica e o povo se revelou ehehe. Que bom, ali começamos a conhecer amigos para vida inteira.
Aprendi então uma entre muitas lições. Quando entramos na brincadeira, somos espontâneos, vamos de peito aberto, uma coisa mágica acontece.
Acreditem: VOLTAMOS A SER CRIANÇAS e convenhamos...há coisa melhor?

Dona Felicidade
A Turma Do Balão Mágico

Lua lá no céu,
Queijo pão de mel
Na ponta do pincel,
Mostra no papel aonde encontrar
A tal da dona felicidade

Perguntei pro céu
Perguntei pro mar, pro mágico chinês
Mas parece ninguém sabe, aonde a felicidade
Resolveu de vez morar

Até que um anjo me disse, que ela existe
Que é tão fácil encontrar
Bem lá no fundo do peito o amor é feito
É só você se entregar

E você vai ser muito feliz,
É só na vida acreditar
E você vai ser muito feliz,
É só na vida acreditar

Lua lá no céu...

Lálálálálálálálálá
Lálálálálálálálálá...