Esse blog foi criado para divulgar o trabalho do Canto Cidadão, Organização Não Governamental (ONG), da qual a Drª Risadinha Risolina é voluntária. Nesta página você lerá textos que expressam as experiências que tenho vivido.



segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Revolucione o Mapa Mundi

Logo quando chegamos sentimos a falta do Hélio (quadro vegetativo) que acompanhamos por dois meses. Não tivemos coragem de perguntar onde ele estava.
Tentamos desanuviar a idéia e entramos no quarto em que o Clóvis estava, um mineiro de 18 anos, que pretende ser professor de geografia. Em qual região fica o Espírito Santo? No Centro-Oeste. Natal é a capital de qual Estado? Rio Grande do Sul.
Chegamos à conclusão: ou esse cara está de zueira com a gente ou vai ter que estudar muito. De repente seu sonho é revolucionar o mapa mundi. Enquanto isso, vamos trocar São Paulo por Salvador ehehe

Todos os relatos são baseados em fatos reais, porém, os nomes dos personagens são fictícios para preservar sua identidade.

Eita mulher chorona

Se você passasse pelo corredor de um hospital e ouvisse:
Severina chique, chique, que abriu uma butique para a vida melhorar. Aposto que acharia um pouco estranho. A culpa não foi minha, juro!
Aliás, a idéia não foi nossa, mas da companheira de quarto de dona Paula, a Josi, fã do Genival Lacerda. Ela disse que até o dia anterior dona Paula estava chorando. Daí ela cantava: “Eitâ mulher chorona, chora feito uma sanfona...daqui a pouco se arrepende e chora”.
A Josi continuou e contou que a dona Paula tem um filho caminhoneiro e no mesmo instante passou o Antonio Fagundes na novela. A Drª Risadinha não perdeu a oportunidade:

DrªRisadinha - A senhora tem um filho famoso?

Paula - Como assim?

DrªRisadinha - Não acredito. A senhora fica dormindo e perdeu, né Josi?

Josi – A senhora fica chorando e nem presta atenção. Ele apareceu na TV, naquele programa ‘Carga Pesada’, mas agora ele está de férias.

Paula – Sério?

DrªRisadinha – Lógico que é. Aquele bonitão, o Pedro, amigo do Bino não é seu filho?

Além dos pacientes ainda temos o maior apoio dos enfermeiros da onco e do Dr. Roberto.

Perguntamos sobre o Cristiano aquele que é segurança.
- Ah, o ‘mala’ do Cristian, teve alta. Que alegria!
Para finalizar voltamos no primeiro quarto, onde dona Paula recebia uma visita e propusemos uma nova cantoria. Dessa vez até a visita teve direito a dançar ao som de “Severina chique, chique ...”


Todos os relatos são baseados em fatos reais, porém, os nomes dos personagens são fictícios para preservar sua identidade.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Para um anjo


Caminhe ( Walk On / U2)

E o amor não é uma coisa fácil
A única bagagem que você pode trazer
E o amor não é uma coisa fácil
A única bagagem que você pode trazer
É tudo o que você não pode deixar para trás

E se a escuridão for nos separar
E se a luz do dia parece estar muito longe
E se seu coração de vidro se partir
E por um segundo você quiser voltar atrás
Oh, não, seja forte

Continue em frente, continue em frente
O que você conquistou, eles não podem te roubar
Não, eles não podem nem sentir isso
Caminhe, caminhe

Mantenha-se segura esta noite

Você está arrumando a mala para ir a um lugar
Onde nenhum de nós esteve
Um lugar no qual se tem que acreditar para se ver
Você poderia ter voado para longe
Um pássaro cantando em uma gaiola aberta
Que só voará, só voa para a liberdade

Caminhe, caminhe
O que você conquistou eles não podem te negar
Não podem vender ou comprar
Caminhe, caminhe

E eu sei que dói

E seu coração se partiu
E você só pode aceitar tudo

Caminhe, caminhe

Deixe para trás
Você tem que deixar isso para trás
Tudo o que você produz
Tudo o que você faz
Tudo o que você constrói
Tudo o que você quebra
Tudo o que você mede
Tudo o que você sente
Tudo isso você pode deixar para trás
Tudo o que você raciocina, é apenas tempo
E eu nunca estarei acima do que procuro
Tudo o que você percebe
Tudo o que você conspira
Tudo que você veste
Tudo o que você vê
Tudo o que você destrói
Tudo o que você odeia
Tudo que você criou

Entre aspas

Eu conheço um anjo

Como de costume passei os olhos na lista com os nomes de meus amigos. Assim, antes de começar mais um dia de atendimento consigo lembrar do rosto e da história de cada um. Ontem, porém, minha memória lembrava com mais insistência do João e da Valéria. Havia faltado luz no hospital, mas os geradores deram conta do recado.
E aí fomos nós. Pós Natal, de cara chegamos e fomos informados que dois pacientes haviam falecido. Preferimos não saber quem eram.
Contudo, no penúltimo quarto quando já estávamos indo embora chega o esposo da Valéria e fui logo perguntando por ela, já que estava com saudades. O leito dela estava com o nome de outra pessoa que ainda não estava lá. Normalmente, de acordo com a necessidade o paciente é transferido para UTI etc.
Mas ele deu uma parada e respondeu que ela tinha Subido. Não sei como consegui ficar tão tranqüila e comecei a conversar com ele. Olhava para ele e lembrava do rosto muito feliz dela. Tínhamos a visto pela última vez há 15 dias.
Perguntei se foi no Natal? Ele disse que fora apenas há 40 minutos. Provavelmente enquanto estávamos ali, mas ela estava em outra clínica.
Foi um momento intenso, indescritível, mas me lembro que disse: - Ela era (é) uma pessoa muito feliz. Com certeza nos deu uma lição de paixão pela vida. Nunca a vi desanimada.
Ele respondeu – Ela sempre foi assim.
Ele se despediu dizendo para que nós continuássemos com nosso trabalho, pois fazíamos bem a muitas pessoas como fizemos a ela.
E assim nos despedimos de nossa amiga. Se vocês ainda não conheceram um anjo... EU POSSO APOSTAR QUE CONHEÇO.
E o anjo me disse assim:
“Viva, diga tudo que pensar,mas não de maneira grosseira. Ame profundamente e com toda a tua força, mesmo que encontrar gente antipática, sem caráter, sem ideais. Porque há muito o que fazer e por quem fazer. E só por isso, vale muito a pena”.

Todos os relatos são baseados em fatos reais, porém, os nomes dos personagens são fictícios para preservar sua identidade.