Esse blog foi criado para divulgar o trabalho do Canto Cidadão, Organização Não Governamental (ONG), da qual a Drª Risadinha Risolina é voluntária. Nesta página você lerá textos que expressam as experiências que tenho vivido.



domingo, 6 de março de 2011

Como é ser um voluntário?


Desde que me encontrei com a Doutora Risadinha pela primeira vez em 2007, uma parceria foi estabelecida prontamente. Com o tempo constatei que o trabalho voluntário ultrapassou minhas expectativas e supera a cada dia. Aliás, nem tinha grande expectativa. A ideia era fazer uma nova experiência. E, sinceramente, achava que não daria conta de mais uma atividade. Mas o resultado de fazer parte de um projeto social atravessou os muros do hospital e da personagem. Habilidades foram despertadas. A Havolene levou a Risadinha para seu dia a dia e a Risadinha carrega um pouco da Havolene em suas andanças.
Sempre me questionam sobre como é ser um voluntário. Não dá para falar de todos os detalhes em poucas linhas (prometo que tentarei em outros posts), mas adianto que embora o termo voluntariado se refira a quem age espontaneamente e sem pagamento é válido frisar que não basta ter boa vontade. Antes, são necessários dois ingredientes básicos para ser voluntário: amor e compromisso. A partir disso, todos os outros itens - que se descobre com o tempo - serão acrescentados, que por experiência própria rendem frutos saborosos todos os dias. Garanto que muitas vezes você vai constatar... quem disse que o voluntário não recebe por seu trabalho. Aliás, ganha bem mais do que doa. Tenha certeza disso!(Havolene Valinhos)

sábado, 26 de fevereiro de 2011

E cante que é bom viver...

*O relato a seguir é baseado em fatos reais, porém, os nomes das personagens são fictícios com o objetivo de preservar sua identidade


Hoje ficamos muito felizes assim que entramos no hospital. Os seguranças já foram nos abraçando com sintomas de saudade. Ah, como é bom ser bem recebido.
Na sequência, conhecemos na sala de espera Alice que aguardava a mãe ser operada e dizia que a mãe estava melhor do que ela. Isso porque nos explicava que o tersol quase dentro do olho direito a incomodava demais e não havia nada que fizesse o bendito desaparecer. Pois bem, prontamente as mulheres que ali estavam começaram a falar de simpatias para resolver o problema. Eis que uma delas solta: - Minha avó dizia que é bom passar aliança e o rabo do gato... é tiro e queda.
Meu pai. Rabo de gato? (crianças não tentem isso em casa). É, eu não tenho essa coragem, mas cada com suas crenças. Melhor não contrariar.

No primeiro quarto identificamos um filósofo: o sábio seu Rodolfo. Ele mora há 30 anos em São Paulo, mas nasceu no nordeste e constatava o quanto é feliz e abençoado. Fiquei tão maravilhada que só fiquei ouvindo. “A felicidade está em tudo. Não adianta o homem ter dinheiro e não ter paz. Sou um cara querido. Esse quarto fica cheio na hora da visita. A vida sem amor não faz sentido”, ele falou ainda muito mais e nos despedimos dele emocionado.

Já no último quarto Ricardo e Isabel completaram esta semana 40 anos de casamento. “Passamos a data aqui no hospital, mas ano que vem faremos uma festa.”
Drª Risadinha e Dr. Caboclinho: - Não deixe para amanhã o que pode ser feito hoje. E sacamos um anel de brilhantes (na verdade daqueles de doce rs) e Ricardo colocou o anel no dedo (mindinho) de Isabel. Foi lindo demais. Que eles vivam mais 40 anos de muita FELICIDADE.

Companheiro
Maria Eugenia (composição: Marcelo Barra, Naire e Tibério Gaspar)

Vai amigo
Não há perigo que hoje possa assustar
Não se iluda
Que nada muda se você não mudar

Ponha alguma coisa na sacola
Não esqueça a viola
Mas esqueça o que puder
E cante que é bom viver

Rasgue as coisas velhas da lembrança
Seja um pouco de criança
Faça tudo o que quiser
E cante que é bom viver

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Só quero saber do que pode dá certo...


*O relato a seguir é baseado em fatos reais, porém, os nomes das personagens são fictícios com o objetivo de preservar sua identidade

Hoje conhecemos um ex-lutador de boxe, o Rafael. Ele nos contou que lutou há anos, mas que era dos bons e aí a conversa rolou solta. Nos revelou vários momentos e ficamos imaginando as lutas. Perguntei se ele já havia quebrado algum dente ou aberto o supercílio. “Isso nunca, mas já quebraram meu nariz. É, o negócio é esse. Quem está na chuva é para se molhar”, brincou.
No corredor encontramos Valéria, que chorava. Ela nos disse que a cirurgia da mãe não tinha dado certo e que uma nova havia sido iniciada naquele momento, por isso, estava apreensiva. Ficamos um tempo ao seu lado para que se acalmasse. Depois a deixamos, mas já com o pensamento mais positivo.
Amanda é uma das cinco mulheres de sua casa. A irmã dela, a Sabrina, de cara chutou o balde. “Foi por isso que meu pai não agüentou e resolveu se mudar de casa. A TPM lá é de doer”, disse bem-humorada.
No quarto de Maria, Karla e Gabriele a conversa estava boa, mas Gabi estava down... até começarmos a cantar, pois ninguém resiste a uma boa desafinação.
Ah, e ainda tivemos a ajuda de um enfermeiro super gente fina que lá pelas tantas virou a atração do quarto cantando sucessos sertanejos.
Um dos pedidos das meninas - que eram fãs dos Titãs, Jota Quest e Capital Inicial – foi Go Back (Titãs / Composição: Sérgio Britto e Torquato Neto)


Vídeo:http://www.youtube.com/watch?v=AAa4gqgYt1c&feature=related


Só quero saber
Do que pode dá certo
Não tenho tempo a perder
Só quero saber
Do que pode dá certo
Não tenho tempo a perder...

Você me chama
Eu quero ir pr'o cinema
Você reclama
Meu coração não contenta
Você me ama
Mas de repente
A madrugada mudou
E certamente
Aquele trem já passou
Se passou, passou
Daqui prá melhor
Foi!...

Só quero saber
Do que pode dá certo
Não tenho tempo a perder
Só quero saber
Do que pode dá certo
Não tenho tempo a perder...

E atendendo aos pedidos da Gabi, que a essa altura estava bem animada, cantamos todos juntos O Sol (Jota Quest /Composição: Antônio Júlio Nastácia.

Vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=17hDEOcH_kk

Ei, dor!
Eu não te escuto mais
Você não me leva a nada
Ei, medo!
Eu não te escuto mais
Você não me leva a nada...

E se quiser saber
Pra onde eu vou
Pra onde tenha Sol
É pra lá que eu vou
É pra lá que eu vou...


quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Ai que frio

O relato a seguir é baseado em fatos reais, porém, os nomes das personagens são fictícios com o objetivo de preservar sua identidade.


Logo no primeiro atendimento conhecemos o Roberto, um baiano que reclamava do frio de Sampa. Ele nem precisava ter dito nada, pois o rapaz estava todo encapotado, preparado mesmo para uma friaca daquelas. De toca, meia, cobertor, só faltou o cachecol (rs). Estava um pouco impaciente com a situação, mas pedimos que se acalmasse que logo voltaria para sua terrinha maravilhosa. Enquanto isso, o negócio era fazer amizades com os paulistas de plantão e todas as outras naturalidades, nacionalidades que encontrasse por aqui e por ali.
O quarto de Roberto estava muito animado. Entre seus colegas estava Jair que dizia que Marcos era marajá porque se aposentou há alguns anos. "O dinheiro corre atrás dele", brincava. Marcos só ficava observando a brincadeira dos colegas com um risinho no canto da boca e com uma pose de marajá. Realmente, ele tem entrado no espírito da coisa.
E a dona Ermelina... uma graça. Com seus 80 e poucos anos era só alegria. Enrolada em um cobertor muito colorido ficava dizendo o tempo todo que eu e o Caboclinho éramos lindos...ficamos até vermelhos (rs). Ela nos disse que tem 12 filhos e ainda falou o nome de todos. Olha que lindeza!!!
E, no quarto do Claúdio, que passamos só para dar um oi, mas ele nos pegou de calças curtas:
Claúdio: - Mas já vão. Pensei que iriam contar umas piadas.
Dr. Caboclinho e Drª Risadinha: - A gente veio só dar um oi. Para falar a verdade piada não é o nosso ponto forte. O nosso negócio é conhecer pessoas interessantes como você.
E rimos um pouco para descontrair...aí ele solta:
Claúdio: - Mas tudo bem, podem ir.
Dr. Caboclinho e Drª Risadinha: - Ahaahah...agora a gente vai ficar.
Claúdio: - Não, podem ir...vocês tem que falar com outras pessoas.
Dr. Caboclinho e drª Risadinha: - Não. A gente vai ficar e queremos ver você conseguir tirar a gente daqui.
Só sei que a conversa começou assim:
Dr. Caboclinho e drª Risadinha: - Como vão as coisas?
Claúdio: - O pior daqui são os remédios e não poder sair dessa cama. Mas para relaxar, me concentro, penso na praia e começo a andar lá no pensamento, aí tudo melhora e me acalmo.
Dr. Caboclinho e Drª Risadinha: - Isso mesmo. Pensamento positivo é tudo.
E ficamos de papo mais de meia hora quase esquecendo de ir embora.