Esse blog foi criado para divulgar o trabalho do Canto Cidadão, Organização Não Governamental (ONG), da qual a Drª Risadinha Risolina é voluntária. Nesta página você lerá textos que expressam as experiências que tenho vivido.



quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Dia de desafios e emoção

Santo André, 12 de setembro de 2007

Hoje, foi de longe o dia mais intenso que tivemos em nossa breve vida de doutores. Sentimos uma resistência enorme em alguns pacientes, outros conquistamos ao poucos e comemoramos.
Dois casos mexeram muito com a gente. Um foi ver o Hélio, que estava em um quarto isolado há um mês e meio. Apesar de não poder falar nada, percebemos que piscou o olho. Já tínhamos visto ele anteriormente, mas antes de entrar no quarto duas médicas ou enfermeiras recém-formadas que estavam no corredor nos disseram: vocês nem vão conseguir interagir com esse paciente, pois ele não responde a nada. Mesmo assim entramos no quarto, pois acreditamos que ele sentiria nossa presença, estávamos certos. Valeu cada segundo.
Outro atendimento foi o da Suzana, que estava medicada e presa à cama para não se debater. Ela nos chamou e pediu para que a soltássemos. Esse foi um momento muito difícil, mas apesar de seus apelos deixamos o quarto. Não podíamos fazer nada, pois os enfermeiros avisaram que ela estava nervosa.
O seu Domingos, filho de italianos, e obviamente palmeirense, é de acordo com a filha Marilene, um italiano muito carinhoso que adora quando a família está por perto.
Cantamos a música Pão de Mel, do Zezé de Camargo & Luciano para a Liliane e parabéns pelo aniversário do Fabiano que completou 21 anos, um guerreiro que luta contra o câncer há quatro.
E o Alessandro que era caminhoneiro e depois do início do tratamento descobriu que tinha talento para a cozinha e agora pretende abrir algum negócio no ramo. Ele contando tudo isso e o seu Álvaro, que estava no leito ao lado pergunta.

Alvaro: Mas eu moro nesse bairro também.
Alessandro: Você não freqüenta o bar de ciclano?
Conclusão: os dois são vizinhos, já se conheciam de vista e foi preciso que dois palhaços intermediassem a situação para sair uma conversa. Rimos muito.

Todos os relatos são baseados em fatos reais, porém, os nomes dos personagens são fictícios para preservar sua identidade.

Um comentário:

Taty disse...

É, as vezes as pessoas moram tão perto e tão longe ao mesmo tempo. Um verdadeiro paradoxo do mundo moderno.

bjus